Anotações feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, registram a frase “Pollon pediu 15 mi p/ não ser candidato” no trecho referente ao Mato Grosso do Sul. O documento, intitulado “situação nos Estados”, foi produzido durante reuniões na sede do PL para tratar da montagem de palanques estaduais e repercutido pelo O Globo.
Flávio confirmou a autoria das anotações. Disse, porém, que o registro não indica um pedido real de dinheiro por parte do deputado federal Marcos Pollon (PL-MS).

“Em uma das anotações no Estado do Mato Grosso do Sul, o deputado Pollon… fiz uma anotação que já está sendo distorcida pela imprensa como se ele tivesse pedido alguma coisa para deixar de ser candidato a governo ou candidato ao Senado. Estava escrito ‘Pollon pediu R$ 15 milhões’ para não ser candidato. Aquilo nunca aconteceu”, afirmou.
“O que aconteceu foi uma pessoa que conversou comigo que estavam dizendo isso do Pollon. Anotei para não esquecer de avisar a ele que estavam vinculando essa mentira criminosa contra ele”, completou.

Pollon também negou qualquer negociação. “Plantaram algo que nunca existiu para tentar manchar meu nome. Eu nunca pedi dinheiro para não ser candidato, e isso não vai acontecer”, escreveu nas redes sociais.
O advogado Fábio Wajngarten afirmou que “aposta tudo que tem que isso não procede que os responsáveis pelas alianças e acordos no PL estão fritando Pollon”.
O documento foi deixado em uma sala após reunião do partido e fotografado por jornalistas. Flávio declarou que as anotações refletem debates internos e sugestões recebidas.
“Ontem, eu tive várias reuniões para falar de vários estados e anotava no papel. Em algum momento, algum coleguinha de vocês tirou foto das minhas anotações, mas não eram opiniões minhas, mas sugestões de pessoas”, disse.
Rio de Janeiro
O material registra a chapa já anunciada no estado. Douglas Ruas (PL) será candidato ao governo. Rogério Lisboa (PP) disputará como vice. Cláudio Castro (PL) e Márcio Canella (União) são os nomes ao Senado.
São Paulo
Nas anotações aparece a frase “ligar Tarcísio”, em referência ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O nome de André do Prado (PL), presidente da Alesp, surge como possível vice. Ao lado do atual vice, Felício Ramuth (PSD), consta o símbolo “$”.
Para o Senado, Guilherme Derrite (PP) é citado. Também aparecem Renato Bolsonaro, Mário Frias, Eduardo Bolsonaro, Coronel Mello Araújo e Marco Feliciano como possibilidades.
Minas Gerais
No trecho sobre Minas, há a anotação de que o vice-governador Mateus Simões (PSD) “puxa” Flávio “para baixo”. O nome do presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, é citado como alternativa, com a observação “conversa com Nikolas”, em referência ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
Para o Senado, aparecem Carlos Viana (Podemos), Marcelo Aro (PP), Eros Biondini (PL) e Domingos Sávio (PL), com destaque para Viana e Sávio.
Mato Grosso do Sul
No estado, o apoio do PL tende a recair sobre Eduardo Riedel (PP) ao governo. Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL) são mencionados ao Senado. É nesse trecho que aparece a anotação envolvendo Pollon.
Rio Grande do Sul
Há um “ok” ao lado do estado. Luciano Zucco (PL) é indicado ao governo. Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo) aparecem para o Senado. Existe anotação para “ligar para Onyx e comunicar” sobre oferta de vice ao PP.
Distrito Federal
No trecho dedicado ao Distrito Federal, as anotações indicam apoio do PL à vice-governadora Celina Leão (PP) para a disputa ao Palácio do Buriti. O desenho considerado inclui duas candidaturas próprias do partido ao Senado: Michelle Bolsonaro (PL) e a deputada federal Bia Kicis (PL).
Ao lado dessa composição, porém, há uma ressalva escrita à mão: “Se Ibaneis for candidato ao Senado, não dá para oficializar com Celina”.

A observação condiciona a formalização da chapa à decisão do governador Ibaneis Rocha (MDB) sobre disputar uma vaga no Senado. O registro indica que a direção nacional do partido optou por não consolidar o palanque no Distrito Federal antes de uma definição do chefe do Executivo local.
A composição vinha sendo tratada como provável no entorno de Michelle, que mantém proximidade política com Celina Leão e articulação ativa no cenário do DF. A anotação revela que o comando nacional do PL mantém a estratégia em aberto e vincula o apoio à vice-governadora ao movimento de Ibaneis.
O governador busca viabilizar candidatura ao Senado e defende a construção de uma chapa unificada na capital. O ex-presidente Jair Bolsonaro já sinalizou preferência por uma dobradinha do PL ao Senado com Michelle e Bia Kicis.
Procurados, Michelle Bolsonaro e Celina Leão não comentaram o teor das anotações. Flávio afirmou que os registros refletem discussões internas e avaliações feitas durante reuniões partidárias, sem caráter definitivo.
Nordeste
Bahia: ACM Neto (União) é citado ao governo, com a observação: “Conversar primeiro. Depois tratamos do palanque completo”. João Roma (PL) aparece para o Senado.
Ceará: O documento indica possível aliança com Ciro Gomes (PSDB). Para o Senado, surgem Alcides Fernandes (PL), Priscila Costa (PL) e Roberto Cláudio (União).

Alagoas: JHC (PL) e Alfredo Gaspar (União) são citados ao governo. Ao lado de Gaspar, consta: “Único que pedirá voto p/ mim”. Para o Senado, aparece Marina Cândida e o nome de Arthur Lira com interrogação.
Pernambuco: Não há definição fechada. São listados Anderson Ferreira (PL), Miguel Coelho (União) e Mendonça Filho (União) ao Senado.
Paraíba: Apoio a Efraim Filho (União) ao governo é tratado como certo. Marcelo Queiroga e Major Fábio aparecem para o Senado.
Piauí: Não há nome ao governo. Para o Senado, constam Ciro Nogueira (PP) e Tiago Junqueira (PL).
Outros estados
Paraná: Guto Silva (PSD) e Sergio Moro (União) são citados ao governo. Filipe Barros (PL) é indicado como favorito ao Senado, com a observação: “Só apoiamos ele”.
Goiás: Daniel Vilela (MDB) e Wilder Moraes (PL) aparecem ao governo. Gustavo Gayer (PL) surge para o Senado.
Santa Catarina: Jorginho Mello (PL) lidera a chapa ao governo. Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni (PL) são citados ao Senado.
Flávio afirmou que as composições estaduais vêm sendo discutidas há mais de um ano e que o partido poderá lançar até 11 candidatos a governador. Disse também que nenhuma decisão é consolidada sem o aval de Jair Bolsonaro.
