Anotação de Flávio cita pedido de R$ 15 mi de Pollon no MS
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Anotação de Flávio cita pedido de R$ 15 mi de Pollon no MS

Senador nega cobrança e diz que registrou boato para alertar aliado

Anotação de Flávio cita pedido de R$ 15 mi de Pollon no MS
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Anotações feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, registram a frase “Pollon pediu 15 mi p/ não ser candidato” no trecho referente ao Mato Grosso do Sul. O documento, intitulado “situação nos Estados”, foi produzido durante reuniões na sede do PL para tratar da montagem de palanques estaduais e repercutido pelo O Globo.

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Flávio confirmou a autoria das anotações. Disse, porém, que o registro não indica um pedido real de dinheiro por parte do deputado federal Marcos Pollon (PL-MS).

Anotações Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução O Globo

“Em uma das anotações no Estado do Mato Grosso do Sul, o deputado Pollon… fiz uma anotação que já está sendo distorcida pela imprensa como se ele tivesse pedido alguma coisa para deixar de ser candidato a governo ou candidato ao Senado. Estava escrito ‘Pollon pediu R$ 15 milhões’ para não ser candidato. Aquilo nunca aconteceu”, afirmou.

“O que aconteceu foi uma pessoa que conversou comigo que estavam dizendo isso do Pollon. Anotei para não esquecer de avisar a ele que estavam vinculando essa mentira criminosa contra ele”, completou.

Deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) - Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) – Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Pollon também negou qualquer negociação. “Plantaram algo que nunca existiu para tentar manchar meu nome. Eu nunca pedi dinheiro para não ser candidato, e isso não vai acontecer”, escreveu nas redes sociais.

O advogado Fábio Wajngarten afirmou que “aposta tudo que tem que isso não procede que os responsáveis pelas alianças e acordos no PL estão fritando Pollon”.

O documento foi deixado em uma sala após reunião do partido e fotografado por jornalistas. Flávio declarou que as anotações refletem debates internos e sugestões recebidas.

“Ontem, eu tive várias reuniões para falar de vários estados e anotava no papel. Em algum momento, algum coleguinha de vocês tirou foto das minhas anotações, mas não eram opiniões minhas, mas sugestões de pessoas”, disse.

Rio de Janeiro

O material registra a chapa já anunciada no estado. Douglas Ruas (PL) será candidato ao governo. Rogério Lisboa (PP) disputará como vice. Cláudio Castro (PL) e Márcio Canella (União) são os nomes ao Senado.

São Paulo

Nas anotações aparece a frase “ligar Tarcísio”, em referência ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O nome de André do Prado (PL), presidente da Alesp, surge como possível vice. Ao lado do atual vice, Felício Ramuth (PSD), consta o símbolo “$”.

Para o Senado, Guilherme Derrite (PP) é citado. Também aparecem Renato Bolsonaro, Mário Frias, Eduardo Bolsonaro, Coronel Mello Araújo e Marco Feliciano como possibilidades.

Minas Gerais

No trecho sobre Minas, há a anotação de que o vice-governador Mateus Simões (PSD) “puxa” Flávio “para baixo”. O nome do presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, é citado como alternativa, com a observação “conversa com Nikolas”, em referência ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

Para o Senado, aparecem Carlos Viana (Podemos), Marcelo Aro (PP), Eros Biondini (PL) e Domingos Sávio (PL), com destaque para Viana e Sávio.

Mato Grosso do Sul

No estado, o apoio do PL tende a recair sobre Eduardo Riedel (PP) ao governo. Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL) são mencionados ao Senado. É nesse trecho que aparece a anotação envolvendo Pollon.

Rio Grande do Sul

Há um “ok” ao lado do estado. Luciano Zucco (PL) é indicado ao governo. Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo) aparecem para o Senado. Existe anotação para “ligar para Onyx e comunicar” sobre oferta de vice ao PP.

Distrito Federal

No trecho dedicado ao Distrito Federal, as anotações indicam apoio do PL à vice-governadora Celina Leão (PP) para a disputa ao Palácio do Buriti. O desenho considerado inclui duas candidaturas próprias do partido ao Senado: Michelle Bolsonaro (PL) e a deputada federal Bia Kicis (PL).

Ao lado dessa composição, porém, há uma ressalva escrita à mão: “Se Ibaneis for candidato ao Senado, não dá para oficializar com Celina”.

A observação condiciona a formalização da chapa à decisão do governador Ibaneis Rocha (MDB) sobre disputar uma vaga no Senado. O registro indica que a direção nacional do partido optou por não consolidar o palanque no Distrito Federal antes de uma definição do chefe do Executivo local.

A composição vinha sendo tratada como provável no entorno de Michelle, que mantém proximidade política com Celina Leão e articulação ativa no cenário do DF. A anotação revela que o comando nacional do PL mantém a estratégia em aberto e vincula o apoio à vice-governadora ao movimento de Ibaneis.

O governador busca viabilizar candidatura ao Senado e defende a construção de uma chapa unificada na capital. O ex-presidente Jair Bolsonaro já sinalizou preferência por uma dobradinha do PL ao Senado com Michelle e Bia Kicis.

Procurados, Michelle Bolsonaro e Celina Leão não comentaram o teor das anotações. Flávio afirmou que os registros refletem discussões internas e avaliações feitas durante reuniões partidárias, sem caráter definitivo.

Nordeste

Bahia: ACM Neto (União) é citado ao governo, com a observação: “Conversar primeiro. Depois tratamos do palanque completo”. João Roma (PL) aparece para o Senado.

Ceará: O documento indica possível aliança com Ciro Gomes (PSDB). Para o Senado, surgem Alcides Fernandes (PL), Priscila Costa (PL) e Roberto Cláudio (União).

Alagoas: JHC (PL) e Alfredo Gaspar (União) são citados ao governo. Ao lado de Gaspar, consta: “Único que pedirá voto p/ mim”. Para o Senado, aparece Marina Cândida e o nome de Arthur Lira com interrogação.

Pernambuco: Não há definição fechada. São listados Anderson Ferreira (PL), Miguel Coelho (União) e Mendonça Filho (União) ao Senado.

Paraíba: Apoio a Efraim Filho (União) ao governo é tratado como certo. Marcelo Queiroga e Major Fábio aparecem para o Senado.

Piauí: Não há nome ao governo. Para o Senado, constam Ciro Nogueira (PP) e Tiago Junqueira (PL).

Outros estados

Paraná: Guto Silva (PSD) e Sergio Moro (União) são citados ao governo. Filipe Barros (PL) é indicado como favorito ao Senado, com a observação: “Só apoiamos ele”.

Goiás: Daniel Vilela (MDB) e Wilder Moraes (PL) aparecem ao governo. Gustavo Gayer (PL) surge para o Senado.

Santa Catarina: Jorginho Mello (PL) lidera a chapa ao governo. Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni (PL) são citados ao Senado.

Flávio afirmou que as composições estaduais vêm sendo discutidas há mais de um ano e que o partido poderá lançar até 11 candidatos a governador. Disse também que nenhuma decisão é consolidada sem o aval de Jair Bolsonaro.

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