O PL deve oficializar neste sábado (25), em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República sem anunciar o nome do candidato a vice. A informação foi confirmada pelo coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), que afirmou que a composição da chapa ficará para o prazo final das convenções partidárias, em 5 de agosto.
“A princípio, não será anunciada [a chapa completa na convenção]. Nós temos até o dia 5 de agosto”, disse Marinho.
Segundo o dirigente, a definição da vice depende diretamente das negociações de alianças que o partido mantém com outras legendas.
“Nós estamos conversando com outros partidos, é evidente que essa decisão só ocorrerá quando tivermos um quadro mais claro de qual vai ser a nossa política de alianças. A partir daí é que vamos olhar, dentro dos quadros que existem em cada partido, quais são aqueles que se adequam ao perfil que nós achamos desejável.”
Republicanos é prioridade nas negociações
A principal aposta do PL é fechar uma aliança nacional com o Republicanos. O partido avalia que a composição fortaleceria a candidatura de Flávio Bolsonaro e ampliaria sua presença no horário eleitoral de rádio e televisão.
Hoje, dirigentes do Republicanos sinalizam preferência pela neutralidade na disputa presidencial. A decisão definitiva dependerá das negociações estaduais, que seguem em andamento até o encerramento das convenções.
As conversas envolvem acordos em estados considerados estratégicos. Há avanço nas tratativas no Espírito Santo e em Minas Gerais, enquanto Acre e Mato Grosso continuam sendo pontos de divergência entre as duas legendas.
Além do Republicanos, o PL também mantém diálogo com a federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas. Nos bastidores, porém, dirigentes das duas siglas avaliam como reduzidas as chances de uma composição nacional.
Vice ainda depende das alianças
A estratégia da campanha é reservar a vaga de vice para um partido aliado. Flávio Bolsonaro tem defendido que a chapa seja formada por uma mulher, tanto para ampliar o diálogo com o eleitorado feminino quanto para fortalecer a aliança partidária.
O nome preferido do senador continua sendo o da economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro. Ela coordenou a elaboração das propostas econômicas da pré-campanha e lidera o projeto “Brasil por Elas”.
A eventual indicação, no entanto, depende de um acordo com o Republicanos. Filiada recentemente ao partido, Daniella enfrenta resistências internas, tanto pela curta trajetória na legenda quanto pela avaliação de parte da direção de que ainda possui pouca densidade eleitoral.
Outra alternativa defendida dentro do PL era a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura do governo Bolsonaro. O nome, porém, perdeu força após a parlamentar informar ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que pretende disputar a presidência do Senado em 2027 e recusou o convite para integrar a chapa presidencial.
Com a negativa, permanecem entre os nomes cogitados as deputadas Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE), além de lideranças do próprio PL, como Júlia Zanatta (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF).
Alianças podem ampliar tempo de TV
A busca por uma coligação também tem impacto direto na propaganda eleitoral.
Caso dispute a eleição apenas com o PL, Flávio Bolsonaro terá cerca de 20% menos tempo de rádio e televisão do que Lula segundo cálculos baseados nas atuais bancadas da Câmara dos Deputados.
Nesse cenário, Lula teria aproximadamente 5 minutos e 32 segundos por bloco do horário eleitoral, enquanto Flávio contaria com cerca de 4 minutos e 20 segundos.
Se o Republicanos aderir à coligação, a situação se inverte. A chapa do PL passaria a ter cerca de 5 minutos e 16 segundos por programa, superando o tempo previsto para a campanha petista.
Integrantes da campanha avaliam que a televisão continua sendo um instrumento relevante, principalmente entre eleitores de menor renda e no interior do país, onde o rádio mantém forte alcance.
Campanha tenta superar impasses
A indefinição sobre a vice ocorre após uma série de dificuldades enfrentadas pela pré-campanha.
Além da demora para consolidar alianças nacionais, o PL busca reorganizar sua estratégia depois dos desgastes provocados pelo caso envolvendo o filme Dark Horse, que esfriou as negociações com União Brasil e Progressistas, e das divergências públicas entre Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Apesar dos impasses, dirigentes do partido afirmam que a oficialização da candidatura neste sábado dará mais autonomia ao senador para concluir as negociações políticas até o encerramento do prazo legal das convenções, em 5 de agosto.