O cientista político Leonardo Barretto, do programa Alive, do Canal Cláudio Dantas, levantou a hipótese de que o governo Lula pode ter recuado de sua oposição ao projeto de anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Segundo o analista, a base governista na Câmara não teria articulado para barrar a votação de urgência, o que sugere um interesse tático na aprovação da medida.
O pedido de urgência para o projeto de lei da anistia foi aprovado na Câmara com 311 votos favoráveis e 163 contrários, permitindo que o texto vá diretamente ao plenário sem passar por comissões. O projeto prevê anistia apenas aos envolvidas em manifestações políticas a partir de 30 de 2022, dia da eleição consagrou a vitória do presidente Lula.
Barretto destacou que, embora o plano inicial do governo fosse enterrar a proposta, a aprovação pode ter se tornado um plano B diante de pressões externas e internas.
Segundo Barretto, o governo Lula enfrenta um dilema: precisa demonstrar unidade política em resposta às sanções do governo americano, que tem pressionado o STF e Lula, alegando perseguição política a conservadores e a empresas dos Estados Unidos.
A aprovação da anistia, mesmo que contrarie os interesses de Lula, poderia ser vista como um gesto de “pacificação” para diminuir a tensão com os EUA e evitar novas sanções contra autoridades brasileiras.
Além disso, o cientista político aponta que o governo precisava desobstruir a pauta da Câmara para avançar em projetos considerados vitais para sua agenda, como o Orçamento de 2026, isenção do imposto de renda para até R$ 5 mil e a medida provisória 1303, que estabelece uma nova rodada de arrecadação sobre bets e investimentos.
Barretto citou a fala do presidente da Câmara, Hugo Motta, que teria dito aos líderes que “se a gente não resolver isso aqui, não vai votar mais nada”.
O analista concluiu que, ao invés de atuar como “leão”, o governo pode ter preferido ser “raposa”, cedendo à aprovação da urgência para poder avançar em pautas prioritárias que darão “garantia de correr e de concorrer em 2026”.
“A aprovação da urgência, que foi uma clara vitória da oposição, agora coloca o projeto em uma fase de cozimento no plenário, enquanto o governo tenta aprovar suas pautas mais urgentes”, analisou
