Alvo de Moraes, Unafisco assinou ‘Cartinha da Democracia’
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Alvo de Moraes, Unafisco assinou ‘Cartinha da Democracia’

Entidade que hoje critica operação do STF aderiu em 2022 à carta organizada pela USP em defesa do Estado Democrático de Direito

Presidente da Unafisco: 'É menos arriscado investigar PCC do que STF'
Foto: Agência Senado

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco Nacional), cujo presidente foi intimado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, aderiu em 2022 à chamada “Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito”.

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O documento foi organizado por alunos, professores e pela diretoria da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e contou com assinaturas de juristas e ex-ministros do STF. À época, a carta superou 100 mil assinaturas em menos de 24 horas.

Em julho de 2022, a Unafisco anunciou oficialmente a adesão ao texto. O então presidente da entidade, Mauro Silva, declarou que o documento acertava ao afirmar que “independentemente da preferência eleitoral ou partidária de cada um, clamamos as brasileiras e brasileiros a ficarem alertas na defesa da democracia e do respeito ao resultado das eleições”.

Na ocasião, Mauro afirmou: “Diante do contexto de ameaça à democracia pelo qual passa o País, uma entidade antiga e tradicional como a Unafisco Nacional não poderia silenciar-se. Ao contrário. Ela precisa aliar-se àqueles que defendem a democracia”.

Ele acrescentou que a posição estava fundamentada no estatuto da entidade e declarou: “A democracia é atacada com teorias conspiratórias, sem nenhum fundamento, e lutar contra isso está acima de qualquer ideologia”. Também afirmou: “Sem democracia não há respeito às carreiras de Estado”.

Intimação determinada por Moraes

Nesta semana, o ministro Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal intime o atual presidente da Unafisco, Kleber Cabral, para prestar esclarecimentos sobre declarações dadas à imprensa.

Cabral foi intimado a depor nesta sexta-feira (20), às 15h. Em entrevista à CNN, ele afirmou entender que não havia indícios de que o auditor investigado tenha efetivamente vazado dados sigilosos.

A outros veículos, declarou que gera mais temor aos servidores investigar o PCC (Primeiro Comando da Capital) do que o STF. A Unafisco também divulgou nota crítica à operação, defendendo o devido processo legal, a presunção de inocência e a proporcionalidade das medidas.

No comunicado, a entidade afirmou que “em 2019, também utilizando o Inquérito das Fakenews, o ministro Alexandre de Moraes afastou dois Auditores-Fiscais acusados de vazamento de informações fiscais de parentes de ministros do STF” e que “posteriormente a acusação mostrou-se sem nenhum lastro probatório, tendo sido os dois Auditores-Fiscais reintegrados”.

A nota acrescentou: “Os Auditores-Fiscais da Receita Federal não podem, mais uma vez, ser transformados em bodes expiatórios em meio a crises institucionais ou disputas que não lhes dizem respeito”.

Crítica da Transparência Internacional

A decisão de Moraes também foi criticada pela Transparência Internacional. Em publicação nas redes sociais, a entidade afirmou: “Um presidente de sindicato é alvo de intimidação por parte de um juiz constitucional, por defender servidores (culpados ou não) vítimas de evidente abuso de autoridade. É cada dia mais estarrecedor o autoritarismo que emana do STF e o declínio democrático brasileiro”.

Cabral declarou à GloboNews que vê a investigação como parte de uma estratégia. “Nossa leitura é que tem um certo método, era para dar um falso positivo, criar um discurso de vítima de que o STF foi atacado […]. A nossa percepção é que o objetivo é intimidatório porque as medidas foram muito desproporcionais.”

A decisão de intimar o presidente da Unafisco ocorreu após a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Banco Master. O novo relator é o ministro André Mendonça. O STF não divulgou os fundamentos da decisão, que tramita sob sigilo.

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