Questionado por Alexandre de Moraes se colocou ou não suas tropas à disposição de Jair Bolsonaro para a execução de um golpe, o ex-comandante da Marinha Almir Garnier desmentiu categoricamente a versão. “Isso não ocorreu. Em primeiro lugar, o brigadeiro Baptista Júnior não estava presente na reunião”, disse.
O almirante confirmou a presença do general Freire Gomes, então comandante do Exército, sobre o qual também descartou outra versão, a de que ele teria ameaçado dar voz de prisão ao presidente da República. “Não me recordo dele ter dito isso.” Segundo Garnier, “não houve deliberações e o presidente não abriu a palavra para nós”.
“Ele fez as considerações dele e expressou o que parecia para mim preocupações e análises de possibilidades do que propriamente a ideia ou intenção de conduzir a coisa numa certa direção. A única questão que percebi, que me era tangível e importante, era a preocupação com a segurança pública, para a qual a GLO era instrumento adequado dentro de certos parâmetros.”
Garnier também ressaltou que não era assessor político de Bolsonaro, mas comandante da Marinha, arma extremamente hierarquizada. “Nós seguimos bem à risca o estatuto dos militares que diz que a um subordinado lhe é dado apenas o direito de pedir por escrito o não cumprimento de uma ordem que considere flagrantemente ilegal. Qualquer coisas além disso, é conversa de bar. Como comandante, sempre me ative a meu papel institucional.”
