O programa ALive desta terça-feira (29) abordou a revelação do jornalista Claudio Dantas sobre Julieta Maria Cardoso Palmeira, irmã do secretário de Comunicação do governo Lula (PT), Sidônio Palmeira, e sua atuação na Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) junto ao Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS).
O CEIS movimenta bilhões de reais e reúne laboratórios públicos e grandes grupos farmacêuticos privados. Na reportagem, Dantas destacou a Bahiafarma, laboratório estatal recriado pelo então governador Jaques Wagner em 2011 e incorporado ao complexo. Julieta Palmeira presidiu a empresa entre 2011 e 2015.
A Bahiafarma foi criada para promover a transferência de tecnologia e fortalecer a produção nacional de medicamentos. No entanto, segundo revelou Dantas, a estatal ainda não produz insumos farmacêuticos com autonomia e atua, na prática, como uma “empacotadora de medicamentos”, testes e outros produtos nacionais e importados.
“É interessante, né, como essas pessoas, e nesse caso aí a família do Sidônio Palmeira, ele e a irmã, sempre associados a algumas cifras bilionárias”, afirmou o jornalista.
Ao comentar o tema, o analista Ary Alcântara afirmou que esse modelo de ocupação do Estado pela esquerda faz parte de uma “estratégia montada pelos comunistas” de, “em vez de combater diretamente as estruturas do capital, se apoderar delas”. “E se apoderar através de quê? Através dos governos da estatização, do modelo estatizante”, completou.
“É um modelo comunista de aquisição do Estado”, prosseguiu Alcantara. “Eu chamo aquisição porque eles começam a tomar pelas pontas. A questão da saúde é fundamental pra eles. Por que a questão da saúde é fundamental? Porque, em saúde, as verbas do Estado são sempre justificadas para o bem da população”.
Na avaliação do analista, esse processo de ocupação da máquina pública vem sendo conduzido há mais de duas décadas. “Não é opinião A, opinião B, é este monstro que está tendo sucesso no Brasil. […] Não é por acaso, é porque é bem pensado, é bem planejado. Eles falharam na Europa, mas continuam tentando [em outros países]”.
Dantas discordou da avaliação de que esse projeto fracassou. Para ele, “eles foram muito bem sucedidos”. “Todos eles, todas essas famílias oligarcas que dominam esses regimes autoritários, estão todas elas bilionárias”, afirmou. “[…] O povo não, o povo sim, fracassou. O povo ao não reagir, ou a eleger, ou a apoiar, fracassou. A sociedade fracassou, a civilização fracassou, a economia nem se fala, todo o resto”.
O jornalista também defendeu maior fiscalização sobre os recursos da saúde e disse que novas denúncias começaram a surgir após a publicação da reportagem sobre a Finep.
“Por exemplo, só nesse caso da Finep aí, ontem eu publiquei essa reportagem, e é muito interessante como você já começa a pipocar várias outras denúncias em relação só ao caso da Finep ali, com orçamento de alguns bilhões”.
Dantas destacou ainda o tamanho do orçamento administrado pelo Ministério da Saúde.
“É bom lembrar que essa gente não atua nesses setores à toa”, afirmou. “[…] Saiba você que a saúde, a pasta da saúde, tem o terceiro maior orçamento da Esplanada, 271 bilhões de reais, e essa gente é igual o gafanhoto, é igual o parasita”.
“Eles vão parasitar onde eles entenderem que tem maior chance de sucesso, porque quem consegue fiscalizar um orçamento de dezenas, de centenas de bilhões de reais, e se você ainda aparelha os órgãos de fiscalização, aí é sopa no mel”, completou.
Ao encerrar sua fala, Dantas afirmou que o problema não se restringe ao governo federal, mas alcança estados e municípios. “Ele se estende ao país todo, ele vai de cima até a ponta”, disse ao comentar casos de desvios de emendas parlamentares destinadas à saúde.
“Quando você vê o sujeito morrendo na fila do SUS, a culpa é dessa gente. […] Nós estamos falando de um orçamento bilionário, de centenas de bilhões”, concluiu.