Para analistas, sanção de Lula é para tentar convencer que o governo quer combater o crime organizado
O programa ALive, apresentado pelo jornalista Claudio Dantas, abordou nesta quinta-feira (30) a sanção de Lula (PT) ao projeto de lei de Sergio Moro (União-PR) que endurece o combate ao crime organizado.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsAppA nova lei cria dois crimes — obstrução de ações contra o crime organizado e conspiração para obstrução de ações contra o crime organizado — e aumenta as penas para quem integra ou financia organizações criminosas.
Embora o texto seja de 2023 e tenha sido encaminhado à Lula no começo de outubro, sua sanção acontece em meio à repercussão da “Operação Contenção”, deflagrada no início da semana e que deixou 117 narcoterroristas do CV mortos no Rio de Janeiro.
Para a cientista política Júlia Lucy, a sanção é uma “derrota” para Lula, já que Sergio Moro é considerado “arqui-inimigo” pelo presidente. “Ele odeia o Sérgio Moro, ele já falou isso várias vezes”, destacou.
“Se o Lula não tivesse sancionado expressamente, o projeto teria sido sancionado tacitamente”, explicou Lucy. “Nós temos esses dois tipos de sanção: O presidente da República, ele tem 15 dias para sancionar o projeto, para dizer o seguinte, ok, isso aqui é uma lei, vou publicar, o Brasil inteiro vai saber. Ou então, ele pode vetar o projeto, e aí, nesse caso, o Congresso vai deliberar se derruba ou não o veto, vai ter que deliberar, vai votar para a maioria absoluta no caso, ou então, a sanção tasta quando o presidente fica em silêncio depois de 15 dias”.
“Só que, gente, tudo na política é timing”, completou a cientista política.

Governo tá querendo fazer o cidadão acreditar que combate o crime organizado
Já a advogada Kátia Magalhães, que também participou do programa de hoje e é articulista deste site, afirmou que “o governo tá querendo fazer o eleitor, o cidadão brasileiro, acreditar que esse governo quer combater o crime organizado”.
“Você acredita nisso? Eu só acreditaria se eu tivesse cinco aninhos, quatro aninho […] O Lula não teve alternativa que não [fosse] ter aprovado esse projeto. Já pegou muito mal, semana passada, aquela frase, né? Em que ele disse que os traficantes são vítimas do usuário”.
“A gente sabe que a frase [dos traficantes] foi super bem colocada [por Lula], né? Super bem colocada por parte de um PT e de uma esquerda que idolatra bandidos desde sempre”, acrescentou.
Ela também elogiou a lei de Moro, mas ressaltou que “de nada adianta aprovar leis boas nessa ceara penal, se a gente não tiver uma aplicação efetiva da lei penal”.
“Todo mundo sabe: Quando a gente entra na faculdade [de Direito], uma das primeiras premissas que a gente aprende é que bandido não tem medo da pena em abstrato. Bandido não tem medo de leis mais severas, mais rígidas. Bandido tem medo, sim, da aplicação, da certeza da aplicação da lei penal. E isso, infelizmente, no Brasil está atrelado, visceralmente atrelado a um judiciário também contaminado por essa ideologia de esquerda”, completou a advogada.

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