A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de zerar o imposto de importação sobre alguns alimentos terá impacto quase irrelevante na inflação e nos preços ao consumidor. Os produtos beneficiados representam apenas 1% do total importado pelo Brasil em 2024, segundo levantamento do Poder360.
Na prática, a medida não muda o cenário. As importações desses itens são insignificantes no mercado brasileiro e muitos deles já são amplamente produzidos no país, como carne e café.
Os números confirmam a ineficácia da decisão. O açúcar, por exemplo, representou apenas 0,04% do total importado pelo Brasil no ano passado (66,84 milhões de kg). A carne bovina teve participação ainda menor: 0,02% (40,61 milhões de kg).
No total, o Brasil gastou US$ 262,9 bilhões com importações em 2024. Os alimentos isentos pelo governo responderam por apenas 0,64% desse montante. No caso do café importado, o gasto foi de US$ 89,5 milhões, equivalente a 0,03% do total. O produto que mais recebeu recursos foi o azeite de oliva (US$ 780,53 milhões), ainda assim menos de 0,5%.
Os dados foram levantados no Comex Stat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Apesar do anúncio, o governo não detalhou os códigos específicos dos produtos usados nas classificações internacionais.
Sem essas informações, foi necessário agrupar códigos específicos para formar as categorias usadas no levantamento. No caso do azeite, por exemplo, foram considerados:
• Azeite de oliva extra virgem;
• Outros azeites de oliva;
• Azeite de oliva virgem;
• Azeite de oliva refinado.
O óleo de palma, também anunciado como isento, não teve dados divulgados pelo governo.
A falta de transparência e a baixa representatividade dos produtos mostram que a isenção fiscal de Lula é mais marketing do que uma solução real para conter a inflação.
