Alerta: Centrão vê retaliação em possível corte de R$ 7 bilhões em emendas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Alerta: Centrão vê retaliação em possível corte de R$ 7 bilhões em emendas

Ciro Nogueira
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

Queda de “MP Taxa Tudo” amplia tensão entre o Executivo e Congresso Nacional

Diante do anúncio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de que o governo pode reduzir mais de R$ 7 bilhões em emendas parlamentares no Orçamento de 2026 — em razão da derrubada da Medida Provisória que aumentaria o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) —, líderes do PP, União Brasil e PL ouvidos pelo Portal Claudio Dantas nesta terça-feira (14) acusam o Executivo de promover uma retaliação política.

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De acordo com o presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), o governo Lula “não tem foco em gestão” e age de forma “irresponsável” ao priorizar gastos administrativos em vez de investimentos.

“Considero que o governo deveria reduzir seus custos de serviços e os gastos desnecessários na máquina pública, além de tentar conter os gastos nas estatais. Até o momento, o governo não implementou medidas para corte de despesas ou melhoria da gestão”, criticou.

Segundo Nogueira, a decisão demonstra falta de compromisso com o investimento no país, uma vez que as emendas parlamentares têm justamente essa finalidade.

“O governo parece preferir aumentar os gastos com diárias e viagens, que, para se ter uma ideia, somam quase dois bilhões de reais por ano, demonstrando falta de foco em gestão e responsabilidade fiscal”, completou.

Sobre as declarações do líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE) ao podcast “As Cunhãs” — onde afirmou que a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), vai “meter a faca” em cargos do Centrão na Caixa Econômica Federal e em outros órgãos estratégicos por determinação do presidente Lula —, Nogueira afirmou que não tem envolvimento no assunto.

“Acreditava-se que um amigo meu havia sido consultado na Caixa Econômica Federal, como se essa consulta fosse uma indicação política. Reitero que não tenho qualquer participação nisso”, declarou.

A fala surge após a exoneração de José Trabulo Junior, que atuava como consultor da presidência da Caixa.

Ainda nesta terça-feira, o deputado federal Arthur Lira (PP-AL) se reuniu com Hoffmann em seu gabinete. O teor da conversa não foi divulgado, mas vale lembrar que o atual presidente da Caixa, Carlos Vieira, foi indicado por Lira em 2023, quando ele presidia a Câmara dos Deputados.

Em relação ao afastamento dos ministros do Turismo, Celso Sabino (PP), e do Esporte, André Fufuca (União), de suas siglas, após não seguirem a decisão da federação União-PP de deixar o governo, Ciro Nogueira afirmou que a expulsão é definitiva:

“Não há clima, não há relação. Eles seguem suas vidas, e nós, as nossas”, concluiu à reportagem.

Também integrante do Centrão, o deputado Fabio Schiochet (União-SC) afirmou que o governo tenta usar cargos e emendas como forma de chantagem política, mas garantiu que a bancada não vai ceder.

“A gente não vai ceder a chantagem nenhuma. A bancada do União não está à venda. O governo começou errando quando colocou uma ministra como a Gleisi para negociar com a gente. Agora querem cortar emenda? Esse é o modus operandi do PT”, declarou.

Segundo Schiochet, o corte de recursos não deve alterar a postura do partido no Congresso — incluindo temas como o Projeto de Lei da Anistia, cujo relator, deputado Paulinho da Força, já adiantou que apresentará um relatório sobre dosimetria, propondo a revisão das penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes.

“Hoje estamos esperando o texto do Paulinho. Não acho que essa chantagem mude alguma coisa”, disse Schiochet. “Os laços do União Brasil vão se distanciar cada vez mais do governo. O governo vem se isolando. E você vai deixar os deputados do União que votavam junto do governo sem recurso?”, completou.

Na avaliação do deputado Zé Trovão (PL-SC), a decisão dos partidos do Centrão de se afastar do governo é consequência da “incompetência administrativa” da atual gestão.

“Os partidos de centro decidiram desembarcar após constatarem a incompetência dessa gestão, marcada por uma carga tributária que sufoca o povo brasileiro. Agora se abre espaço para discutir temas que realmente interessam, como a redução de impostos e a anistia de cidadãos condenados de forma arbitrária”, afirmou.

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