Ala lulista do MDB admite desgaste e avalia rompimento em 2026 - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Ala lulista do MDB admite desgaste e avalia rompimento em 2026

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Por Redação

Integrantes do MDB alinhados ao presidente Lula admitem que a relação entre o partido e o governo está fragilizada. O grupo, formado por lideranças do Norte e Nordeste, reconhece que não há mais condições para forçar uma aliança nacional com o petista nas eleições de 2026. Parte da sigla chegou a defender a indicação de um emedebista à vice-presidência.

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O desgaste se intensificou após a recente derrota do governo no Congresso, com a derrubada do decreto que aumentava o IOF. A articulação política foi classificada como “precária” por parlamentares do próprio MDB, que veem dificuldade crescente para sustentar a aliança com o Planalto.

A heterogeneidade do partido também é apontada como obstáculo. A avaliação é de que o MDB deve liberar seus diretórios estaduais para decidirem autonomamente qual candidatura apoiar em 2026.

Há uma preocupação dos lulistas verdadeiros com essa relação que está constituída com o Congresso. O ministro da Fazenda (Fernando Haddad) não tem uma relação próxima com o Congresso, nem o ministro da Casa Civil. É um governo que a base política de negociação não tem extra PT. Tem aí um pouco de recado: nós existimos. Há um problema de interlocução com a Casa. Política é relacionamento, Congresso é relacionamento”, afirmou o deputado Eunício Oliveira (MDB-CE) ao O Globo.

A possibilidade de apoio a um nome da direita com alta viabilidade eleitoral, como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), ganha força. A ala ligada ao ex-presidente Michel Temer, ao presidente do MDB, Baleia Rossi, e ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, pode influenciar o partido a seguir nesse caminho.

Apesar do distanciamento, o MDB evita adotar agora a mesma estratégia de partidos como União Brasil e PP, que já planejam sair da Esplanada. Os emedebistas avaliam que a definição sobre cargos deve ocorrer apenas até abril de 2026, prazo final para desincompatibilizações.

Parlamentares do MDB também criticam a estratégia do governo de confiar exclusivamente no Planalto para negociar com o Congresso. Há sugestões para envolver ministros na articulação.

Existe fragilidade. É necessário envolver os ministros nas articulações políticas. Seria mais efetivo do que apenas deixar o Planalto articular. Ainda há chance de o MDB apoiar Lula, mas vai depender da articulação do presidente nos próximos meses. É necessário ele começar uma articulação já olhando para reeleição, o que ainda não aconteceu”, disse o deputado Hildo Rocha (MDB-MA).

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