AGU diz ao STF que sistema já rastreia parte das emendas Pix - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

AGU diz ao STF que sistema já rastreia parte das emendas Pix

Flávio Dino acelera ofensiva contra 'emendas pix' após aprovação da pec das prerrogativas
Foto: Gustavo Moreno/STF

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A Advocacia-Geral da União (AGU) informou ao STF que o governo federal já conta com mecanismos para rastrear parte das chamadas emendas Pix — modalidade de repasse direto de recursos públicos a estados e municípios, sem convênio prévio ou análise técnica.

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Segundo a AGU, o Banco do Brasil está integrado à plataforma Transferegov, o que permite identificar o destino final dos valores e seus beneficiários. Já a Caixa Econômica Federal e o Banco do Nordeste seguem em fase de adaptação. A previsão é que a integração da Caixa seja concluída até 20 de agosto.

A AGU confirmou que a Caixa já fornece dados como CPF e CNPJ dos destinatários, mas ainda há falhas técnicas apontadas pela Controladoria-Geral da União, como divergências em dados bancários, que dificultam o rastreamento total das transferências. A proposta é incluir também a descrição do uso do dinheiro.

A manifestação foi enviada ao ministro Flávio Dino, relator do processo no STF, no contexto do plano de transparência das emendas aprovado em abril pelos Três Poderes. O documento esclarece que apenas dotações orçamentárias classificadas como RP 6 (emendas Pix), RP 7 (de bancada) e RP 8 (de comissão) estão sujeitas ao rastreamento exigido. Rubricas como RP 2 e RP 3 não são consideradas emendas parlamentares.

A AGU defendeu a legalidade do modelo atual, com base constitucional e previsão de prestação de contas, e rebateu críticas feitas por três entidades civis que monitoram o uso das emendas. Segundo o órgão, o modelo não isenta parlamentares de responsabilidade sobre o uso dos recursos.

Levantamento recente identificou que prefeituras usaram emendas Pix para comprar armas de fogo para guardas municipais. Seis cidades aplicaram os recursos em fuzis, espingardas e carabinas. Outras duas adquiriram pistolas, totalizando mais de 280 armas.

O cruzamento dos dados da Transferegov também revelou que parlamentares destinaram emendas a prefeituras comandadas por parentes.

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