Deputado critica relator Paulinho da Força e diz que apenas anistia geral pode encerrar perseguições políticas
O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou agora há pouco (19) um vídeo no YouTube em que criticou a condução do projeto de anistia pelo relator Paulinho da Força (Solidariedade-SP). O parlamentar defendeu que o texto seja de anistia ampla, geral e irrestrita, e não de redução de penas, como tem sinalizado o relator.
Segundo Eduardo, a proposta apresentada por Paulinho trata o tema como disputa entre direita e esquerda e busca um “meio-termo” que não atende aos condenados do 8 de Janeiro.
“Ele (Paulinho da Força) apresenta o tema como se fosse algo entre direita e esquerda, e que seja preciso encontrar uma alternativa moderada no meio termo. Só que, pergunto a ele, seria então justo, ao invés de 14 anos de cadeia, por exemplo, pra Débora Rodrigues dos Santos, que escreveu com batom numa estátua, ‘perdeu, mané’, colocá-la então a 7 anos na prisão? Será que isso daí é o justo? É óbvio que não. Então, contra a injustiça, eu quero estar do lado oposto”, disse.
O deputado afirmou esperar que Paulinho não se alinhe ao ministro Alexandre de Moraes e disse rejeitar qualquer tentativa de “redução de penas” no lugar da anistia.
“Essa redução de pena, que nem anistia é, ela não vai trazer pacificação. Nós estamos tendo uma oportunidade única, se agirmos diferentes e chancelarmos qualquer coisa que não seja uma anistia ampla, geral e irrestrita sobre fatos, daremos continuidade a esse regime persecutório.”
Isso porque, nos últimos dias, Paulinho descartou a possibilidade de anistia ampla e irrestrita. Ele passou a defender um projeto de dosimetria das penas, ou seja, redução apenas para alguns crimes imputados, inclusive a Bolsonaro, mas não para todos. O relator afirmou que busca “pacificação” sem agradar extremos. Também disse que vai ouvir todas as bancadas antes de finalizar o texto.
Eduardo também criticou as negociações conduzidas pelo relator com o ex-presidente Michel Temer, o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) e ministros do STF.
“Agora, quantas pessoas Aécio Neves leva pra rua? Por que que ele nesse momento está se colocando como uma pessoa moderada para a Anistia, quando ele já foi beneficiado pelo regime? Ou pior ainda, por que que nós vamos dar ouvido ao Temer, que não cumpriu a sua palavra anterior?”
O parlamentar defendeu que a anistia alcance todos os processos abertos contra a direita desde 2019, incluindo inquéritos das fake news. Nos Estados Unidos, Eduardo citou nomes de perseguidos como Rodrigo Constantino e Guilherme Fiúza e reforçou sua posição contra a proposta de Paulinho.
“Eu nunca tive tão certo que a decisão mais simples é votar contra qualquer redução de pena, e a favor unicamente de uma anistia, ampla, geral e irrestrita, sobre os fatos, essa sim, imparcial. Se forem pegar indivíduos, aí a gente está falando de privilégio”, completou.
