O mercado aéreo brasileiro enfrenta uma década de estagnação. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) revelam que, em 2024, as companhias transportaram 93,4 milhões de passageiros em voos domésticos, 2,8% abaixo do pico de 96,1 milhões registrado em 2015.
De acordo com o Poder 360, entre 2009 e 2015, o setor viveu uma fase de expansão, mas crises econômicas e instabilidade política travaram o crescimento. A pandemia de covid-19 agravou a situação, com queda de 95% no número de passageiros em abril de 2020, quando apenas 399.812 viajantes voaram, contra 7,9 milhões no mesmo mês de 2015. Em 2025, a demanda cresceu 8,2% de janeiro a maio em relação a 2024, mas o setor ainda opera abaixo de seu potencial histórico.
Entraves estruturais limitam crescimento
O setor aéreo enfrenta barreiras que dificultam sua recuperação. Apesar da abertura ao capital estrangeiro, que permite 100% de controle por empresas internacionais, nenhuma nova companhia ingressou no mercado brasileiro.
A judicialização excessiva é outro obstáculo. Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), 98,5% das ações judiciais contra companhias aéreas no mundo concentram-se no Brasil. O país registra um processo a cada 0,52 voos, enquanto nos EUA a proporção é de um a cada 2.585 viagens. Cerca de 90% das ações no Brasil envolvem pedidos de danos morais, muitas incentivadas por empresas que compram direitos de passageiros para lucrar com indenizações. Essa prática eleva os custos operacionais e pressiona o preço das passagens.
A volatilidade econômica também prejudica o setor. Custos como querosene de aviação, leasing de aeronaves e manutenção, atrelados ao dólar, expõem as empresas a oscilações cambiais. Além disso, a concentração populacional, a concorrência com o transporte rodoviário e a elevada carga tributária agravam o cenário. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) alerta que a reforma tributária, com a proposta de um IVA de 26,5%, pode encarecer passagens em até 30%, reduzindo a demanda e comprometendo a conectividade aérea do país.
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