PSDB reabre jogo da centro-direita e isola outras pré-candidaturas
O novo presidente nacional do PSDB, deputado Aécio Neves (MG), afirmou nesta quinta-feira (27), que o partido poderá apoiar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), caso ele concorra à Presidência da República em 2026.
Segundo Aécio, porém, esse apoio só ocorrerá se Tarcísio não se apresentar como “o candidato exclusivo de Jair Bolsonaro”.
— Se Tarcísio for apenas o candidato de Bolsonaro, não o apoiaremos — declarou o parlamentar, ao assumir o comando da Executiva nacional do partido.
A sinalização mexe no tabuleiro da centro-direita ao colocar pressão sobre outros nomes que buscam apoio partidário para se viabilizar nacionalmente, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), e o recém-filiado ao PSDB Ciro Gomes (CE), que ainda não descarta disputar o Planalto.
Apesar da reserva pública em relação ao peso de Bolsonaro na eleição, Aécio contou com a presença de lideranças do PL durante o evento.
O vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes, e o líder do partido na Casa, Sóstenes Cavalcante, ambos bolsonaristas, subiram ao palco, destacaram afinidade histórica com o PSDB e fizeram críticas diretas ao PT.
“Eu aprendi a fazer oposição vendo o PSDB atuar contra os petistas; admirava Fernando Henrique e os posicionamentos do partido”, afirmou Sóstenes, recebido com aplausos por Aécio.
A participação de aliados de Bolsonaro, porém, gerou constrangimento logo em seguida. Um vídeo institucional exibido no telão falava em “cansaço da polarização política” enquanto mostrava cenas de confrontos protagonizados por Nikolas Ferreira e Eduardo Bolsonaro. Ninguém comentou o episódio.

Em seu discurso, Aécio retomou críticas ao PT, afirmou ter sido “injustiçado” pela Lava-Jato e prometeu recolocar o PSDB entre as principais forças do Congresso nas próximas eleições.
“Seguimos firmes no propósito de combater os desmandos das gestões petistas e de enfrentar os extremos que tomaram conta do país”, disse.
O novo presidente tucano estabeleceu como meta eleger 30 deputados federais em 2026 e reposicionar o partido como alternativa ao antibolsonarismo e ao antipetismo, reforçando o discurso de terceira via que marcou a trajetória da sigla, mas perdeu força nos últimos anos.
Presente ao evento, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu que o fortalecimento do PSDB amplia o “debate saudável” no Congresso.
