A indústria brasileira pressiona por um prazo de 90 dias para negociar com os Estados Unidos a suspensão da tarifa de 50% sobre exportações, anunciada por Donald Trump e prevista para 1º de agosto. José Velloso, presidente-executivo da Abimaq, afirmou que os setores industriais apoiam a iniciativa da CNI. Ele alertou que a medida, se mantida, impactará US$ 40 bilhões em exportações. “Uma alíquota de 50% representa, na prática, um bloqueio comercial. É uma penalização. Não existe comércio possível nessas condições”, disse.
O setor de máquinas e equipamentos, que exporta US$ 3,6 bilhões anualmente aos EUA, sofrerá perdas significativas, já que muitos produtos levam a marca de importadores americanos. “Muitas empresas ali vendem produtos com a marca do importador. O prejuízo seria grande e não teríamos como redirecionar para outros mercados”, explicou Velloso. Ele destacou a interdependência econômica, com mais de quatro mil empresas americanas usando o Brasil como base exportadora.
Velloso defendeu que o Brasil evite retaliações. “Se um país retaliar, a consequência será o fim do comércio e uma derrota para todos”, avaliou. Ele teme que a sobretaxa afaste investimentos americanos, enquanto a China, que manipula câmbio e subsidia exportações, pode ganhar espaço.
“Nós temos agora dois problemas. Ela [China] manipula câmbio, dá bônus de 17% para empresa que exporta, têm custos de capital subsidiadas pelo Estado [chinês]. Nós temos que resolver o problema com os EUA da melhor forma possível, sem outra tarifa”, disse.
O executivo reforçou a necessidade de diálogo diplomático para proteger a economia brasileira e evitar a escalada de barreiras comerciais.
