ABC suspende Jimmy Kimmel após fala sobre Charlie Kirk
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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ABC suspende Jimmy Kimmel após comentários sobre assassinato de Charlie Kirk

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Por Marília Rodrigues

Trump comemora decisão e sindicatos veem ataque à liberdade de expressão

A ABC suspendeu por tempo indeterminado o apresentador Jimmy Kimmel e o seu talk show noturno após comentários sobre o assassinato do influenciador conservador Charlie Kirk, segundo informações da BBC.

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“Jimmy Kimmel Live! será suspenso por tempo indeterminado”, afirmou um porta-voz da emissora, que pertence ao grupo Disney. O presidente Donald Trump celebrou: “uma ótima notícia para a América”.

Em monólogo exibido na segunda-feira (15), Kimmel afirmou que a “gangue Maga” (Make America Great Again) estaria tentando “ganhar pontos políticos” com o crime. Ele também criticou bandeiras a meio mastro em homenagem a Kirk e ironizou a reação de Trump: “Não é assim que um adulto lamenta… É assim que uma criança de quatro anos lamenta a morte de um peixinho”. No dia do atentado, Kimmel havia publicado no Instagram mensagem condenando o ataque e enviando “amor” à família do ativista.

Reações imediatas

Pouco depois do anúncio da ABC, Trump escreveu nas redes que o programa havia sido “cancelado” e parabenizou a emissora. Pessoas que aguardavam para assistir à gravação lamentaram a suspensão e houve pequeno protesto do lado de fora do estúdio.

A Nexstar, uma das maiores proprietárias de emissoras nos EUA, informou que não exibiria o “Jimmy Kimmel Live!” “no futuro próximo”, classificando as falas sobre Kirk como “ofensivas e insensíveis”. O presidente de sua divisão de transmissão, Andrew Alford, disse que elas não refletem os valores das comunidades locais.

Nomes de Hollywood criticaram a decisão: Ben Stiller disse que “isso não está certo”; Jean Smart afirmou estar “horrorizada”; Jamie Lee Curtis relembrou frase do próprio Kimmel contra “cancelamentos”. John Legend e Alison Brie também manifestaram apoio ao apresentador.

O presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC), Brendan Carr — indicado por Trump — agradeceu à Nexstar e cobrou providências da Disney, afirmando que emissoras têm “obrigação de operar no interesse público”. A Sinclair, maior afiliada da ABC, anunciou que exibirá um especial em memória a Kirk na sexta-feira (19). A Nexstar busca aprovação da FCC para fusão de US$ 6,2 bilhões com a Tegna.

A comissária democrata da FCC, Anna Gomez, criticou as declarações de Carr e afirmou que um ato de violência não deve ser explorado para justificar “censura”. O sindicato dos roteiristas (WGA) disse que a retirada do ar viola direitos constitucionais de expressão. O Sag-Aftra classificou a medida como “repressão e retaliação” que coloca liberdades em risco.

Kimmel não foi demitido

Segundo uma fonte ouvida pela CNBC, Kimmel não foi demitido. Os executivos pretendem conversar com o comediante sobre o que ele deve dizer quando voltar ao ar. O “Jimmy Kimmel Live!” está no ar desde 2003 e é o segundo talk show mais longevo com o mesmo apresentador na TV americana, atrás do “The Tonight Show Starring Johnny Carson” (1962–1992).

Em paralelo, a CBS decidiu encerrar o “The Late Show With Stephen Colbert” no ano que vem; o apresentador criticou a rede pela decisão. Resta saber quando — e em quais termos — Kimmel voltará ao ar, enquanto emissoras e reguladores mantêm o tema no centro do debate público.

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