Laurie Garrett, 74 anos, é uma jornalista científica premiada dos Estados Unidos. Ela ganhou o Prêmio Pulitzer de Jornalismo Explicativo em 1996.
Como outros ilustrados cheios de intolerância por conservadores, Garrett resolveu participar da difamação póstuma de Charlie Kirk, ativista conservador assassinado por um homem com claras ligações à extrema esquerda.
Saindo em defesa de uma jornalista que foi demitida do Washington Post, Garrett reproduziu uma frase atribuída a Kirk pela colega: “As mulheres negras não têm poder de processamento cerebral para serem levadas a sério. Têm que roubar o lugar de uma pessoa branca”.
Segundo a jornalista, a demissão foi injusta pois a atribuição da frase é “meramente verdadeira”.
Ao ver a alegação, Matthew Van Swol, um cientista nuclear e empresário de tecnologia, lançou um desafio a Garrett: “Oi, Laurie. Se você puder encontrar evidência em vídeo dessa citação exata, palavra a palavra, dita pelo Charlie, como escrita por você acima, eu lhe enviarei via Venmo US$ 10.000 hoje”.
O desafio não foi aceito. Garrett ignorou e não apagou sua alegação sobre Kirk ter dito a frase racista. “Essa é uma jornalista vencedora do Prêmio Pulitzer”, comentou Van Swol, triunfante.
A turma “do bem” passa vergonha difamando Kirk
Continuam circulando mentiras sobre quem era Charlie Kirk e as circunstâncias de seu assassinato. Circulou uma imagem editada com inteligência artificial, por exemplo, do assassino Tyler Robinson vestindo uma camiseta pró-Trump.
A historiadora de esquerda Heather Cox Richardson, que atualmente é “a intelectual mais bem-sucedida da esquerda” americana, nas palavras do jornalista progressista Jesse Singal, postou em seu Substack, para dezenas de milhares de seguidores, que Robinson “é um jovem homem branco de uma família republicana pró-armas que parece ter abraçado a extrema direita, não gostando de Kirk por ele não ser radical o suficiente”. É uma inverdade e, na data da postagem, quatro dias após o assassinato, completamente sem fundamento.
Outro expoente das letras com viés progressista é o escritor Stephen King, autor de obras aclamadas como “O Iluminado” e “A Coisa”. Após interpretar mal um trecho desonestamente editado de Kirk discutindo a Bíblia, King alegou que o ativista era a favor de apedrejar homossexuais. O próprio escritor precisou pedir desculpas, repetidamente, nas redes sociais.
King não teria cometido a gafe se tivesse feito mínimo esforço para conhecer Kirk, em vez de fazer um pré-julgamento por suas posições políticas. Há clipes de Kirk resistindo a um homofóbico que tentou pregar intolerância contra gays (“Donald Trump precisa devolver o dinheiro doado por Peter Thiel?”, perguntou o ativista em referência ao bilionário gay), acolhendo calorosamente perguntas de debatedores LGBT, e até afirmando que os Estados Unidos não são uma teocracia, logo, sua desaprovação teológica ao casamento gay não deve ser necessariamente a lei do país.
Enquanto isso, pessoas de esquerda que têm abertura de diálogo com a direita, como o apresentador Bill Maher (HBO), têm elogiado Kirk. Em entrevista com um músico em seu podcast, Maher disse, sobre a esquerda radical, que “eles são as pessoas que não querem conversar. É meu principal problema com eles”.
“Charlie Kirk era um cara que sempre estava conversando”, acrescentou Maher, que é tão diferente do falecido que já lançou um documentário contra a religião (Religulous). “Conversei com ele aqui. Os direitistas, diga o que quiser sobre eles, mas eles conversam com você. Eles não fazem como a esquerda, que tem muito mais essa coisa de ‘não falo com você, não quero lidar com você, você é deplorável’.”
“Charlie Kirk e eu certamente não concordamos em muita coisa politicamente, mas ele se sentou aqui, ele é um ser humano, não um monstro. E eu gosto dele. Gosto de todos eles. São boas pessoas, quando você conversa com eles pessoalmente. Se você não se importa porque o cara do time errado tomou um tiro, vá se f****. Você é o que há de errado com este país”, concluiu Maher.
Cancelamento de direita?
Foi lançado um site para catalogar quem comemorou a morte de Kirk e fazer pressão sobre seus empregadores e contatos sociais para que paguem por sua atitude imoral. Nesta terça, o site, que já tinha dezenas de milhares de denunciados, saiu do ar. Possivelmente, a queda foi por causa do nome da página: “Assassinos de Charlie”. O grupo por trás da página baixou o tom e a criou com outro nome, “Dados de Charlie Kirk”.
Imediatamente, foram lançadas críticas aos conservadores e libertários que empreenderam esse tipo de campanha, comparando-os à onda de cancelamentos causados pela cultura woke nos últimos anos, com ápice em 2020.
Em parte, a crítica é justa — como mostrou a procuradora-geral de Trump, Pam Bondi, alegando que “discurso de ódio” não está protegido pela liberdade de expressão nos moldes americanos, o que é falso. Ela foi amplamente criticada pelo próprio lado.
Mas a crítica perde de vista um elemento central: enquanto a maioria dos casos dos cancelados sob acusação de racismo, sexismo, homofobia e outros preconceitos não eram de fato partidários dessas intolerâncias, uma parte substancial dos “cancelados de esquerda” de fato comemoraram a morte de Charlie Kirk.
Como sugerido pelas falsidades difamatórias contra o assassinado, uma das grandes diferenças, portanto, é que a esquerda tem um problema maior com a verdade ao fazer acusações. Isso é um tanto irônico, depois de uma década de campanha da esquerda para suposto combate a “fake news” e “desinformação”, além de “ódio”.
Se antes a esquerda aplaudia o banimento de conservadores nas redes sociais alegando que eram empresas privadas e fazem o que quiserem, agora a direita diz o mesmo a respeito da demissão de pessoas que fizeram declarações repugnantes sobre Kirk e sua tragédia.
Jovens radicalizados na intolerância
Dois adolescentes que comemoraram a morte de Kirk foram presos, não pela comemoração, mas porque colocaram as palavras em prática.
Ryder Corral, um homem de 19 anos, foi ao memorial instalado à porta da Turning Point USA no Arizona, ONG fundada por Kirk, pisoteou as flores e destruiu objetos de homenagem e lembrança. Ele foi preso no local.
Carmyn Giselle Booker, 18 anos, foi presa ao causar transtorno em uma vigília no campus da Universidade Tecnológica do Texas, onde ela estudava. “O amigo de vocês está morto”, ela gritou, “tomou um tiro na cabeça” (foi no pescoço).
O governador republicano do Texas, Greg Abbott, comemorou a prisão de Booker. Críticos disseram que a liberdade de expressão da jovem foi violada, mas as autoridades disseram que ela ultrapassou os limites ao agredir os participantes da vigília. A estudante também foi expulsa da universidade.
São justamente os jovens progressistas o carro-chefe da defesa da violência política nos EUA. Uma pesquisa publicada pelo instituto YouGov dois dias após o assassinato de Kirk mostrou que, enquanto apenas 4% dos conservadores com mais de 44 anos de idade acham que é às vezes justificável o uso da violência para fins políticos (são 7% na faixa etária entre 18 e 44 anos), 26% dos progressistas entre 18 e 44 anos acham justificável — mais de um quarto. Entre progressistas mais velhos, 12% aceitam a violência política.
Para todas as ideologias, a tendência nos EUA é alarmante entre jovens entre 18 e 29 anos: os que dizem que a violência política nunca é justificável são hoje uma maioria em queda, de 51%. Entre os americanos mais experientes, com 65 anos ou mais, há uma maioria firme de 89%.