“Não há qualquer fundamento jurídico”, diz advogado sobre decisão do TCU no caso Master
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

“Não há qualquer fundamento jurídico”, diz advogado sobre decisão do TCU no caso Master

No Alive, debatedores questionam sigilo imposto pelo TCU e atuação no caso Banco Master

“Não há qualquer fundamento jurídico”, diz advogado sobre decisão do TCU no caso Master

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Durante o programa Alive desta quinta-feira (12), no YouTube, o advogado Ricardo Alexandre criticou a decisão de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) que restringiu o acesso do Banco Central a documentos do caso Banco Master.

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Para ele, “não existe um basamento jurídico algum” que sustente a medida. Segundo o advogado, o país vive um “estado de anomia, de absoluta anormalidade, de fricção entre poderes”. Ele afirmou que há “um supremo que não respeita leis” e que cria suas próprias regras.

Ao tratar do caso concreto, Ricardo disse que o Banco Central tem atribuição direta sobre a liquidação da instituição financeira e, por isso, deveria ter acesso integral aos autos. “O Banco Central tinha que ter acesso sim, o Banco Central deve ter acesso e essa vedação é absolutamente legal”, declarou.

Ele classificou a decisão como “absolutamente antijurídica” e defendeu que a conduta do ministro seja apurada. “Não há qualquer sentido nisso, é preciso apurar o que está por trás”, afirmou.

Ricardo também relembrou episódio envolvendo o senador Renan Calheiros e decisão do Supremo. “Ordem constitucional do Supremo pode ser descumprida”, disse, citando caso em que o parlamentar permaneceu na presidência do Senado apesar de decisão judicial.

O apresentador Claudio Dantas comentou a presença de Renan em investigações. “Você ter um sujeito como Renan Calheiros, presidindo uma investigação, né? Não cabe”, afirmou.

A advogada Carol Sponza questionou nota divulgada pelo TCU. Segundo ela, a própria manifestação do órgão demonstra necessidade de justificativa. “Eu sou uma instituição pública, né? Um órgão público. Eu preciso cumprir a lei. Eu preciso cumprir todos os procedimentos que são exigidos aqui”, disse.

Ela levantou dúvida sobre a integridade do material a ser compartilhado. “Será que as provas vão ter sido manipuladas antes? Será que vai ter ele vai ter acesso a uma íntegra do que está sendo apurado?”, questionou.

Já a cientista política Júlia Lucy afirmou que a atuação do TCU no caso é discutível. Segundo ela, o tribunal tem competência para fiscalizar verbas públicas, enquanto o caso envolve recursos privados. “A simples entrada do TCU na investigação do caso Master é absolutamente questionável”, declarou.

Júlia também afirmou que o modelo de indicação política para cargos em órgãos de controle favorece interferências. Para ela, mudanças estruturais dependem de alteração constitucional. “A única forma de acabar com isso é alterando a Constituição Federal e fazendo com que a entrada de pessoas nesses órgãos […] seja feita única exclusivamente por meio de concurso público”, disse.

Segundo a cientista política, esperar ausência de influência política em estruturas baseadas em indicações é inviável. “Esperar que não tenha intervenção política em algo que houve política, é impossível”, afirmou.

Assista ao programa na íntegra

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