PF aponta que Fazenda do Rio virou “extensão” da Refit durante gestão Castro
Brasília, Terça, 21 de julho de 2026
Política

PF aponta que Fazenda do Rio virou “extensão” da Refit durante gestão Castro

Investigação autorizada pelo STF apura suposto favorecimento ao grupo de combustíveis durante administração do ex-governador

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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Por Redação

A Polícia Federal (PF) afirmou que a Secretaria de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro atuou, durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ), como uma “extensão da estrutura empresarial do Grupo Refit”, conglomerado do setor de combustíveis controlado pelo empresário Ricardo Magro.

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A conclusão consta na decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a Operação Sem Refino, deflagrada nesta sexta-feira (15).

A investigação apura suspeitas de ocultação patrimonial, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e favorecimento institucional envolvendo empresas ligadas à antiga Refinaria de Manguinhos, atualmente chamada de Refit.

Segundo a PF, integrantes do primeiro escalão do governo estadual teriam atuado para beneficiar o grupo empresarial e dificultar a atuação de concorrentes no mercado fluminense.

Os investigadores afirmam que, “sob a batuta de Cláudio Castro”, a máquina pública foi utilizada em favor da Refit por meio de um “engajamento multiorgânico” envolvendo diferentes órgãos estaduais.

Entre os principais pontos da investigação está a atuação da Secretaria de Fazenda, que, segundo a PF, monitorava operações fiscais e interesses econômicos ligados ao conglomerado.

Os investigadores apontam ainda que o então secretário estadual de Fazenda, Juliano Pasqual, teria sido escolhido por “alinhamento de interesses” com o grupo empresarial.

Outro foco das apurações envolve a criação de um programa especial de refinanciamento tributário sancionado durante a gestão Castro. De acordo com a Polícia Federal, a Lei Complementar nº 225/2025 era chamada internamente de “Lei Ricardo Magro”, por supostamente atender diretamente aos interesses da Refit.

Segundo a investigação, o programa permitia condições consideradas altamente vantajosas para renegociação de dívidas bilionárias da refinaria com o Estado do Rio. A medida foi aprovada cerca de um mês após a refinaria ser interditada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e pela Receita Federal durante a Operação Cadeia de Carbono.

A PF também afirma que a Procuradoria-Geral do Estado teria atuado para defender judicialmente a retomada das operações da refinaria após a interdição. Conforme o inquérito, a manifestação da PGE teria sido “encomendada pelo governador Cláudio Castro”.

Além do ex-governador, foram alvos da operação o empresário Ricardo Magro, o desembargador afastado Guaraci Vianna, o ex-procurador-geral do estado Renan Saad, o ex-secretário Juliano Pasqual e um policial civil. Contra Magro foi expedido mandado de prisão preventiva, além de pedido de inclusão do nome na Difusão Vermelha da Interpol. Ele é considerado foragido.

Agentes da PF cumpriram mandado de busca e apreensão na residência de Cláudio Castro, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Durante a ação, foram apreendidos um celular e um tablet do ex-governador.

A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros ligados aos investigados, além da suspensão das atividades econômicas das empresas envolvidas. Segundo a Polícia Federal, mais de R$ 700 mil em dinheiro vivo foram apreendidos durante a operação, parte deles na casa do policial civil investigado.

As investigações também apontam que Ricardo Magro teria estruturado uma rede de offshores, holdings e empresas de fachada para ocultar patrimônio e esvaziar bens da Refit durante o processo de recuperação judicial da companhia.

Em nota, a defesa de Cláudio Castro afirmou ter sido surpreendida pela operação e declarou que o ex-governador está à disposição da Justiça. Os advogados sustentam que todas as medidas adotadas durante sua gestão seguiram critérios técnicos e legais previstos na legislação estadual.

A defesa também argumentou que a administração Castro foi a única a conseguir pagamentos da Refinaria de Manguinhos ao Estado do Rio, em valores próximos de R$ 1 bilhão. Segundo os advogados, a Procuradoria-Geral do Estado moveu diversas ações contra a empresa ao longo do governo.

Já a Refit negou irregularidades e afirmou que as medidas adotadas pelas autoridades prejudicam a concorrência no setor de combustíveis. A empresa declarou ainda que herdou passivos tributários de gestões anteriores e informou ter pago cerca de R$ 1 bilhão ao governo fluminense no último exercício fiscal.

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