STF forma maioria contra ampliar revisão da vida toda do INSS
Brasília, Quinta, 02 de julho de 2026
Justiça

STF forma maioria contra ampliar revisão da vida toda do INSS

Corte rejeita manter recálculo para aposentados que já tinham ações em andamento; Fachin interrompe julgamento

Sessão plenária do STF
Foto: Luiz Silveira/STF

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria contra ampliar a aplicação da chamada “revisão da vida toda” para aposentados que já haviam acionado a Justiça pedindo o recálculo do benefício antes de a tese ser derrubada pela própria Corte.

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O julgamento foi interrompido após pedido de destaque do presidente do STF, ministro Edson Fachin, que levou o caso do plenário virtual para o plenário físico. Ainda não há data para retomada da análise.

Até a suspensão, o placar estava em sete votos a um contra o recurso apresentado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM), que buscava preservar o direito dos segurados que ingressaram com ações antes da mudança de entendimento do tribunal.

A maioria acompanhou o voto do relator, ministro Kassio Nunes Marques. Também votaram no mesmo sentido os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Luiz Fux e a ministra Cármen Lúcia. O único voto divergente foi do ministro Dias Toffoli.

No voto, Nunes Marques afirmou que o tema já foi amplamente analisado pelo STF e rejeitado em março de 2024.

“O direito à chamada revisão da vida toda já foi repetidamente rechaçado por esta Suprema Corte”, escreveu o relator.

Segundo o ministro, a Corte já garantiu proteção suficiente aos aposentados ao decidir que os valores recebidos até abril de 2024 não precisarão ser devolvidos, além de afastar cobrança de custas e honorários.

Para Nunes Marques, permitir a continuidade dos recálculos em ações ainda em andamento manteria pagamentos “em desacordo com a tese firmada” pelo Supremo.

Dias Toffoli divergiu do entendimento da maioria. O ministro argumentou que muitos aposentados organizaram suas finanças com base na decisão favorável do STF em 2022, posteriormente revertida pela Corte.

“Precisamos ter em conta o perfil das pessoas atingidas pela mudança de entendimento do Tribunal: pessoas idosas, de baixa renda, trabalhadores rurais, pensionistas em situação de vulnerabilidade econômica e suas respectivas famílias”, afirmou.

A “revisão da vida toda” permitia incluir no cálculo da aposentadoria contribuições feitas antes de julho de 1994, período anterior à implantação do Plano Real.

Na prática, a tese beneficiava segurados que recebiam salários maiores antes de 1994 e tiveram redução de renda nos anos seguintes.

O STF validou a revisão em 2022. Em 2024, no entanto, a Corte mudou o entendimento e decidiu que o aposentado não pode escolher a regra de cálculo mais vantajosa, tornando obrigatória a aplicação da fórmula prevista na Lei de Benefícios da Previdência Social.

O recurso analisado nesta semana tentava limitar os efeitos dessa mudança, garantindo a continuidade das ações ajuizadas antes da reversão do entendimento do tribunal.

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