Oposição trabalha em derrubada de vetos da dosimetria
Brasília, Quinta, 18 de junho de 2026
Política

Oposição trabalha em derrubada de vetos da dosimetria

Sessão do dia 30 deve decidir sobre penas do 8 de janeiro; governo admite risco de derrota

Oposição trabalha em derrubada de vetos da dosimetria
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Compartilhe em

Foto do autor

Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Com a sessão do Congresso marcada para o próximo dia 30, o PL da dosimetria volta ao centro do debate com forte expectativa de derrubada dos vetos do Lula. A oposição intensificou a articulação para reduzir as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro, enquanto o governo já admite a possibilidade de derrota no Legislativo.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Deputados da oposição projetam vitória nas duas Casas. O relator do projeto, Paulinho da Força, calcula cerca de 300 votos na Câmara e mais de 50 no Senado para derrubar o veto.

“A sessão será remota, portanto, mais difícil ainda. Temos que trabalhar. Conversar com os líderes, para que a gente possa derrubar o veto. A tendência é aumentar o número de votos. Devemos passar de 300 votos na Câmara e um pouco mais de 50 no Senado. As pessoas estão mais convencidas de que é preciso tirar essa pauta da frente. Foi uma vingança do presidente Lula, então precisamos derrubar”, afirmou.

A avaliação é compartilhada por parlamentares da base governista, que já consideram provável a manutenção do texto. A aposta de aliados do Planalto é em reação externa para conter o avanço da proposta.

O projeto altera critérios de cálculo das penas e estabelece percentuais mínimos para cumprimento e progressão de regime. O texto também prevê compatibilidade entre remição de pena e prisão domiciliar.

Pelo projeto, condenados por exercer comando de organização criminosa estruturada para crime hediondo ou equiparado deverão cumprir ao menos 50% da pena.

O veto presidencial foi integral e ocorreu durante cerimônia no Palácio do Planalto sobre os três anos dos atos de 8 de janeiro.

Para a rejeição do veto, é necessária maioria absoluta: 257 deputados e 41 senadores.

A inclusão do tema na pauta foi articulada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, após negociação com a oposição. O acordo prevê votação concentrada no tema, sem avanço simultâneo de outras pautas, como a CPMI do caso Banco Master.

O senador Jorge Seif afirmou ter reunido apoio para viabilizar a sessão e defendeu a votação exclusiva da matéria.

A data da sessão foi marcada para o dia seguinte à sabatina de Jorge Messias no Senado, indicado ao Supremo Tribunal Federal.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, também defende a derrubada do veto. Ele afirmou que a proposta não configura anistia e que, se o Congresso reverter a decisão, o resultado deve ser respeitado.

Segundo Motta, a mudança permite que a defesa peça revisão de penas ao próprio STF.

Paralelamente, o deputado Paulo Abi-Ackel apresentou proposta para evitar que a eventual derrubada do veto impacte regras mais rígidas aplicadas a crimes graves. O projeto mantém percentuais elevados de cumprimento de pena para delitos como homicídio qualificado, estupro e tráfico de drogas.

“O que estou propondo é uma correção para impedir que um eventual problema técnico seja explorado politicamente. A discussão sobre a dosimetria precisa ficar livre de argumentos que não dizem respeito a ela. Uma coisa é debater o apenamento dos manifestantes do 8 de janeiro. Outra, completamente diferente, é afrouxar regras para os chamados crimes graves”, afirmou.

A proposta busca separar os efeitos da dosimetria das regras aplicáveis a crimes hediondos e evitar questionamentos jurídicos sobre a legislação penal.

A votação ocorre em meio a disputas políticas entre Congresso, governo e Judiciário, com impacto direto na pauta penal e no ambiente legislativo.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade