Vieira aciona PGR contra acusação de abuso de autoridade feita por Gilmar
Brasília, Quarta, 10 de junho de 2026
Justiça

Vieira aciona PGR contra acusação de abuso de autoridade feita por Gilmar

Senador pede arquivamento de representação e afirma que atuação na CPI está protegida pela imunidade parlamentar

Escritório da família de Moraes acionará senador na Justiça
O parlamentar sustenta que a acusação não encontra respaldo jurídico e contraria precedentes do próprio ministro. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) o arquivamento da representação criminal apresentada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

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No documento, encaminhado na última quinta-feira (16), após ofício do magistrado, o parlamentar sustenta que a acusação não encontra respaldo jurídico e contraria precedentes do próprio ministro.

A manifestação responde ao pedido de investigação feito por Gilmar Mendes, que apontou possível abuso de autoridade na atuação de Vieira como relator da CPI do Crime Organizado. No relatório final — que acabou rejeitado pelo colegiado —, o senador propôs o indiciamento de autoridades, incluindo ministros do STF e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Na peça enviada à PGR, a defesa do senador afirma que a conduta é “manifestamente atípica” e não se enquadra nos critérios da Lei de Abuso de Autoridade. O texto destaca que a legislação exige “finalidade específica de prejudicar outrem ou beneficiar a si mesmo”, o que, segundo o parlamentar, não ocorreu no caso.

O documento também argumenta que a acusação se baseia em divergência jurídica, o que não configura crime.

“A divergência na interpretação de lei ou na avaliação de fatos e provas não configura abuso de autoridade”, diz trecho da manifestação, ao rebater os fundamentos apresentados pelo ministro.

Outro ponto central da defesa é a imunidade parlamentar. Vieira sustenta que a elaboração do relatório da CPI constitui ato típico do exercício do mandato e, portanto, está protegida pela Constituição.

O texto cita decisões anteriores do próprio Gilmar Mendes para reforçar o argumento, incluindo entendimento de que parlamentares são “invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos” no exercício da função.

A defesa também destaca que o relatório não chegou a produzir efeitos jurídicos, já que foi rejeitado pela comissão.

“Não houve, portanto, qualquer ato de indiciamento”, afirma o documento, acrescentando que a proposta não resultou na abertura de investigação ou persecução penal.

Além disso, o senador aponta possível conflito de interesses no caso. Segundo a manifestação, o ministro que apresentou a denúncia figura entre os citados no relatório, assim como o procurador-geral responsável por analisá-la, o que, na avaliação da defesa, comprometeria a imparcialidade do processo.

Ao final, Vieira pede o arquivamento da representação e afirma que a iniciativa representa uma tentativa de “instrumentalização do sistema de persecução penal” contra a atividade parlamentar.

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