TCU cobra novas regras para uso de jatos da FAB por autoridades
Brasília, Quinta, 18 de junho de 2026
Justiça

TCU cobra novas regras para uso de jatos da FAB por autoridades

TCU dá 30 dias para Casa Civil e Defesa revisarem uso de jatos oficiais

FAB vira “piloto de fuga”: Governo Lula gasta R$ 345 mil para resgatar condenada por corrupção no Peru foto:Agência Brasil
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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O Tribunal de Contas da União (TCU) deu 30 dias para que Casa Civil e Ministério da Defesa reformulem regras de uso de aeronaves oficiais por autoridades. A FAB realizou 111 voos transportando apenas uma autoridade, entre 2020 e 2024. A informação consta em auditoria realizada pelo TCU. O documento resultou em acórdão publicado na última quarta-feira (15).

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O relatório aponta que a União poderia economizar aproximadamente R$ 81,6 milhões por ano, caso optasse integralmente por transportar autoridades em voos comerciais. Um terço dos voos ocorre entre destinos atendidos pela aviação comercial — São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. A taxa de ociosidade é alta, segundo a auditoria.

Os técnicos do TCU estimaram valores com base na planilha de custos total fornecida pela FAB e no valor médio das passagens aéreas comerciais. “O custo substancialmente mais elevado requer fundamentação formal e clara que justifique o emprego da aviação oficial em detrimento da comercial”, diz o relatório.

A Corte de Contas afirmou que a maioria dos voos analisados carece de justificativa exata para o uso de aviões da FAB. Segundo o tribunal, a FAB não possui controle interno para impedir que pessoas não autorizadas pelo decreto que regulamenta o transporte oficial utilizem o serviço.

“O Comando da Aeronáutica não emite qualquer juízo de valor acerca da motivação do requerimento de transporte e do atendimento aos requisitos normativos”, pontua o documento.

O TCU acrescentou que o decreto e uma portaria normativa do Ministério da Defesa “contêm disposições imprecisas e, por vezes, conflitantes”. “Na forma atual, [o decreto e a portaria] permitem o uso das aeronaves por um rol aberto e indefinido de agentes públicos, não delimitam claramente a demonstração da necessidade do emprego, atribuem a responsabilidade pela alocação de vagas remanescentes ao requisitante e não ao operador do serviço, entre outras situações que comprometem o uso regular, eficiente e impessoal do serviço.”

O documento critica artigo do decreto que delega à autoridade solicitante o poder de definir quem ocupará assentos livres na aeronave. Para o tribunal, ao não fixar critério objetivo para esse aproveitamento de vagas, a norma abre espaço para ineficiência e para escolhas baseadas em interesses pessoais.

O relatório destaca que, para esses assentos, o decreto não exige conexão com a agenda oficial da autoridade. Também não obriga que a escolha seja justificada e documentada para controle.

É o caso de voo em 8 de abril que levou comitiva do Exército de Curitiba (PR) para a Base Aérea de Santa Maria (RS). O voo partiu com 16 passageiros, entre eles as esposas de generais que estavam a bordo. Na ocasião, o comandante da Força, general Tomás Paiva, viajou para participar da formatura de turma da EASA, em Cruz Alta (RS).

A CNN entrou em contato com o Exército para saber o motivo de as esposas dos generais terem viajado junto, mas não obteve retorno. Em nota, a Força informou que “o apoio da FAB, embora não costumeiro ao comandante, foi imprescindível para que o mesmo pudesse se fazer presente nas atividades mencionadas em locais afastados de aeroportos de grande porte e com baixíssima disponibilidade de voos comerciais”.

Em 2026, ministros usaram jatinhos da FAB em 279 ocasiões. Levantamento da CNN mostra que até 15 de abril a FAB realizou 279 voos com autoridades do primeiro escalão do governo federal. O ex-ministro da Educação Camilo Santana foi o que mais viajou em jatinhos oficiais: 52 voos.

Março teve 111 viagens em jatinhos da FAB. Em janeiro foram 87 deslocamentos. Em fevereiro, 81. O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), fez 33 voos no período. Presidente do STF, o ministro Edson Fachin não requereu jatinhos da FAB como chefe do Poder Judiciário.

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