“Desonra que o povo brasileiro não merecia”, publicou a Transparência Internacional
A Transparência Internacional criticou nesta segunda-feira a atuação da Força Aérea Brasileira (FAB) na operação que trouxe ao Brasil a ex-primeira-dama do Peru Nadine Heredia, condenada a 15 anos de prisão por corrupção. Segundo a organização, o voo realizado em abril — que custou R$ 345 mil aos cofres públicos — transformou a FAB em “piloto de fuga”. As informações vieram à tona após requerimento do deputado federal Marcel Van Hattem (Novo-RS), que obteve os dados oficiais sobre a missão.
Segundo os dados enviados pela FAB, foram R$ 318 mil em logística, R$ 7,5 mil em diárias e R$ 19 mil em taxas aeroportuárias. A missão foi solicitada diretamente pelo Itamaraty e executada sem estimativa prévia de custos.
“Desonra que o povo brasileiro não merecia”, publicou a Transparência Internacional, acusando Lula e o chanceler Mauro Vieira de instrumentalizar as Forças Armadas para beneficiar aliados políticos condenados.

foto: Presidência do Peru.
Nadine Heredia foi condenada a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro, assim como o marido, o ex-presidente Ollanta Humala, em um esquema que envolveu caixa 2 do regime venezuelano e da Odebrecht nas campanhas de 2006 e 2011.
Ambos já haviam sido presos preventivamente em 2018, mas respondiam em liberdade por decisão do Tribunal Constitucional do Peru.
O governo brasileiro justificou o asilo por “razões humanitárias”, alegando que Heredia havia passado por cirurgia recente na coluna e que o pedido seguia a Convenção sobre Asilo Diplomático de 1954.
O Peru, por sua vez, afirmou que concedeu salvo-conduto de imediato após notificação da Embaixada do Brasil.
