PGR recorre contra decisão de Dino sobre punição a juízes - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

PGR recorre contra decisão de Dino sobre punição a juízes

Órgão quer que STF reavalie fim da aposentadoria compulsória como sanção máxima

PGR sede
Foto: Antonio Augusto / Secom / PGR.

Compartilhe em

Foto do autor

Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou recurso nesta segunda-feira (30) contra a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que afastou a aposentadoria compulsória remunerada como a penalidade mais severa aplicável a magistrados.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Com a contestação, a tendência é que o tema seja analisado pelo plenário da Corte. A PGR defende que a punição não foi extinta e continua prevista no ordenamento jurídico, ao contrário do entendimento adotado por Dino.

Na decisão, proferida em 16 de março, o ministro determinou que a perda do cargo, acompanhada da suspensão dos vencimentos, passe a ser a sanção máxima em casos de infrações disciplinares. A medida altera a lógica anterior, em que juízes podiam ser afastados das funções, mas mantinham remuneração proporcional ao tempo de serviço.

Segundo Dino, a mudança decorre da Emenda Constitucional nº 103 de 2019, que teria eliminado a base legal para a aposentadoria compulsória como punição. Para o ministro, o modelo não se sustenta mais dentro das regras constitucionais atuais.

A decisão também determinou que o Conselho Nacional de Justiça adeque seus procedimentos disciplinares ao novo entendimento e, se necessário, regulamente a aplicação das penalidades.

O caso teve origem em uma ação movida por um magistrado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que buscava reverter decisão do CNJ que o aposentou compulsoriamente após a apuração de irregularidades graves, como favorecimento indevido e manipulação de processos.

Dados do próprio Judiciário indicam que, nas últimas duas décadas, mais de uma centena de magistrados foram punidos com aposentadoria compulsória em situações envolvendo suspeitas como venda de decisões, assédio e vínculos indevidos.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade