A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou nesta terça-feira (18) a quebra dos sigilos bancário e fiscal do Fundo Arleen, que adquiriu participação no Tayayá Resort anteriormente vinculada à família do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O requerimento foi apresentado pelo senador Sergio Moro (União-PR) e prevê o acesso a dados financeiros entre fevereiro de 2021 e janeiro de 2026. A medida busca aprofundar a apuração sobre a origem dos recursos e a estrutura societária envolvida na operação.
O fundo investigado realizou aporte milionário para adquirir ações do empreendimento, localizado no Paraná, que pertenciam à empresa Maridt Participações, da qual Toffoli é sócio ao lado de familiares.
A transação ocorreu em 2021 e girou em torno de R$ 20 milhões.
A investigação também alcança a relação entre o Arleen e outros veículos financeiros. O fundo é controlado por outra estrutura, ligada ao empresário Fabiano Zettel, citado nas apurações sobre movimentações consideradas atípicas por órgãos de controle.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que Zettel movimentou valores elevados em curto período, com volume incompatível com a renda declarada. Parte dessas transações coincide com o período da aquisição da participação no resort.
A iniciativa da CPI ocorre após o colegiado ter sido impedido de acessar diretamente dados da Maridt.
A decisão foi tomada pelo ministro do STF Gilmar Mendes, que determinou a invalidação das informações anteriormente obtidas pela comissão.
Diante da restrição, parlamentares passaram a direcionar as investigações para fundos e estruturas financeiras relacionadas à operação, como forma de contornar os limites impostos pela decisão judicial.
Em manifestações anteriores, Toffoli afirmou que vendeu integralmente sua participação no empreendimento por meio de operações realizadas com fundos de investimento. O ministro também declarou não ter relação com os gestores das estruturas envolvidas nem ter recebido valores de investigados citados no caso.
A apuração integra um conjunto mais amplo de investigações sobre movimentações financeiras suspeitas e possíveis conexões com esquemas de desvio de recursos, incluindo apurações que envolvem o Banco Master.
