Governo Trump avalia reincluir Moraes na Magnitsky
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Governo Trump avalia reincluir Moraes na Magnitsky

Tensão envolve principalmente embates do ministro com big techs

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Foto: Fellipe Sampaio /STF

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Por Redação

O governo de Donald Trump avalia voltar a sancionar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky. A informação é do site Metrópoles.

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Dentro do governo dos EUA, o responsável por acompanhar a atuação de Moraes é o assessor sênior do Departamento de Estado dos Estados Unidos Darren Beattie. Nomeado no fim de fevereiro, ele já influenciava a política da gestão Trump para o Brasil desde o início do atual mandato do republicano.

Na terça (10), Moraes autorizou Beattie a visitar Jair Bolsonaro (PL) em sua cela na Papudinha. Além do ex-presidente, o membro do governo Trump deve se reunir com outros políticos de oposição durante visita a Brasília na próxima semana.

Em agosto do ano passado, Beattie criticou Moraes diretamente em um post em rede social. Segundo ele, o ministro do Supremo seria “o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição direcionado a Bolsonaro e seus apoiadores”.

No entanto, de acordo com o Metrópoles, a principal fonte atual de tensão entre Moraes e o governo Trump não é a execução penal de Bolsonaro, mas o histórico de embates do ministro com as “big techs”. Segundo o site, o Departamento de Estado vê com preocupação “a difusão do pensamento de Alexandre de Moraes, nos círculos jurídicos, sobre o enfrentamento ao ‘populismo extremista’ nas redes sociais”.

O ministro é autor do livro “Democracia e Redes Sociais: Desafio de Combater o Populismo Digital Extremista”, lançado em outubro de 2024. Na obra, ele propõe a regulamentação das plataformas de internet como forma de proteger o eleitorado de supostas “manipulações indevidas”, especialmente durante eleições.

O magistrado também defende que empresas de redes sociais sejam responsabilizadas como outros veículos de comunicação.

Segundo o Metrópoles, o governo americano vê essa tese sobre as big techs “como um atentado a valores dos EUA, como a liberdade de expressão”: “Há preocupação com a influência que Moraes possa vir a exercer sobre juristas de outros países, impactando políticos e movimentos de direita que usam as redes sociais para difundir suas ideias”.

Em agosto do ano passado, Moraes também determinou a suspensão do X no Brasil por 39 dias. A medida foi revogada após o pagamento de R$ 26,8 milhões em multas, o bloqueio de perfis investigados pela Corte e a nomeação de representantes da empresa no país.

Moraes foi sancionado pelo governo dos EUA em julho de 2025 com base na Magnitsky por autorizar prisões arbitrárias e promover censura contra brasileiros e norte-americanos. A medida criou restrições para negociações ou uso de serviços de empresas americanas, além de prever o congelamento de eventuais ativos e propriedades do ministro nos EUA.

A sanção, que acabou sendo suspensa em dezembro do ano passado, ainda foi estendida à mulher do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes, e a uma firma pertencente a ela, o Lex Instituto de Estudos Jurídicos.

Foto: Fellipe Sampaio /STF

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