Urgente: Gaspar pede quebra de sigilo de amiga de Lulinha
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Política

Urgente: Gaspar pede quebra de sigilo de amiga de Lulinha

Relator solicita dados bancários e fiscais de ex-número dois da Previdência e de empresária citada em investigação da PF

CPMI do INSS pediu quebra de sigilo de ex-secretário da Previdência e de empresária ligada ao caso do Careca do INSS.

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), apresentou requerimentos para a quebra de sigilo bancário e fiscal de Roberta Moreira Luchsinger, empresária apontada pela Polícia Federal como integrante do núcleo político do esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas e amiga de Lulinha, filho do presidente Lula. Os pedidos também incluem Adroaldo da Cunha Portal, ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência Social.

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Os pedidos abrangeram o período de 1º de janeiro de 2020 a 31 de dezembro de 2025 e incluíram o envio de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). As medidas foram protocoladas no âmbito da comissão que apura descontos associativos irregulares em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social.

Em relação a Roberta Luchsinger, a CPMI sustentou que ela teria atuado na ocultação de patrimônio e na movimentação de recursos para fins de lavagem de dinheiro. A PF apontou uma suposta sociedade de fato entre a empresária e o Careca do INSS. De acordo com o documento, a empresa RL Consultoria e Intermediações Ltda., ligada a Roberta, movimentou mais de R$ 18,2 milhões, com repasses oriundos de empresas de fachada do grupo investigado, amparados em contratos de consultoria considerados incompatíveis com os serviços declarados.

O requerimento registrou ainda que Roberta teria orientado a destruição de provas, como o descarte de telefones, e participado do planejamento para manter atividades ilícitas mesmo após a deflagração de operações policiais.

A CPMI apontou que a quebra de sigilo bancário, fiscal e o envio dos RIFs são necessários para mapear o fluxo financeiro, identificar vínculos empresariais e esclarecer a extensão da rede política envolvida nas fraudes que atingiram milhões de beneficiários do INSS.

Roberta Luchsinger foi alvo de mandado de busca e apreensão em operação da Polícia Federal que apurou novos indícios de desvios em aposentadorias. As investigações identificaram repasses de empresas ligadas a Antônio Camilo Antunes para uma empresa da empresária. Segundo a PF, uma consultoria vinculada ao investigado transferiu R$ 1,5 milhão em cinco pagamentos sucessivos de R$ 300 mil.

A empresária é amiga de Fábio Luís da Silva, filho do presidente Lula, e passou a usar tornozeleira eletrônica por determinação judicial. Em nota, a defesa afirmou que ela “jamais teve qualquer relação com descontos indevidos do INSS” e disse que foi contratada para prestar serviços na regulação de empresas do setor de canabidiol. A defesa de Antônio Camilo Antunes não se manifestou.

No ano passado, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou Roberta ao pagamento de indenização por danos morais ao senador Sergio Moro e à deputada federal Rosângela Moro, em razão de ofensas publicadas nas redes sociais. A decisão determinou a exclusão das postagens, sob pena de multa diária. A defesa da empresária recorreu, e o recurso permanece suspenso.

No caso de Adroaldo Portal, o requerimento citou indícios de que a posição estratégica ocupada no Ministério da Previdência teria sido usada para beneficiar a organização criminosa investigada na Operação Sem Desconto. Segundo a PF, foram identificados depósitos em espécie em suas contas bancárias. A justificativa também mencionou a apreensão de uma planilha na residência de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, com referência ao nome “ADRO”, associada a pagamento de propina.

“O acesso detalhado aos dados financeiros é vital para confirmar se o cargo público foi utilizado para viabilizar vantagens indevidas e garantir a continuidade dos descontos fraudulentos”, afirmou o texto do requerimento.

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