Um tribunal federal dos Estados Unidos negou o pedido apresentado pelo estado de Minnesota e pelas cidades de Minneapolis e St. Paul para interromper uma operação conduzida por agentes federais de imigração na região. Com a decisão, tomada no último sábado (31), a ofensiva do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês) segue em vigor até o julgamento final do processo.
A ação questiona a legalidade da operação chamada de Metro Surge, que mobilizou milhares de agentes federais para o entorno da região metropolitana de Minneapolis–St. Paul. As autoridades estaduais e municipais alegam que a iniciativa viola a autonomia local, promove discriminação racial e tem causado impactos graves à população.
Ao analisar o pedido de medida cautelar, a juíza federal Katherine Menendez concluiu que, apesar das preocupações levantadas, não estavam presentes os requisitos legais para a suspensão imediata das ações. Segundo ela, o “equilíbrio dos prejuízos” não favorece, neste momento, a concessão da liminar. A magistrada ressaltou, no entanto, que o tribunal ainda não avaliou o mérito da ação nem a legalidade das táticas adotadas pelos agentes.
A decisão ocorre em meio a uma escalada de tensão na região, após dois episódios fatais envolvendo cidadãos norte-americanos durante operações federais. No início de janeiro, Renée Good foi morta a tiros por um agente ao se recusar a deixar o veículo em uma abordagem. Já em 24 de janeiro, Alex Pretti morreu durante outra ação em Minneapolis, dias depois de participar de protestos contra a morte de Renée.
Apesar de reconhecer que há indícios de consequências “profundas e perturbadoras” para as comunidades locais, a juíza observou que um tribunal de apelações havia recentemente derrubado uma liminar mais restrita contra o ICE. Para Menendez, suspender toda a operação representaria uma intervenção ainda mais ampla.
A secretária de Justiça dos Estados Unidos, Pam Bondi, comemorou o resultado. Em nota, afirmou que a decisão representa uma vitória para o Departamento de Justiça e reforça que o governo federal continuará a aplicar a legislação migratória no estado.
Em sentido oposto, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, criticou a decisão e afirmou que ela não apaga os efeitos da operação sobre a população local. Segundo ele, o medo e a instabilidade causados pelas ações federais permanecem.
