Nesta sexta-feira (23), no programa Alive, exibido no YouTube, o jornalista Claudio Dantas comentou o enfrentamento institucional ao Supremo Tribunal Federal (STF) e criticou estratégias baseadas em ataques pessoais a ministros da Corte.
Ao lembrar episódios da Operação Lava Jato, Dantas afirmou que houve reação social quando decisões judiciais contrariaram a expectativa popular. Segundo ele, a libertação de empresários presos provocou pressão pública que levou à revisão de uma decisão do então ministro Teori Zavascki. Para Dantas, esse episódio demonstrou que o enfrentamento institucional ocorre quando há mobilização estruturada.
Ele afirmou que “se você quer fazer o enfrentamento institucional, você faça com técnica”, destacando que xingamentos, ofensas públicas e ataques a familiares de ministros não produzem resultados e podem configurar crime. Disse ainda que a pressão efetiva depende de apoio parlamentar, pedidos de impeachment bem fundamentados e mobilização da sociedade.
“O Renan Calheiros está fazendo o serviço deles”, afirmou Dantas em outro momento do programa, ao comentar o papel do senador em investigações recentes. Segundo ele, a investigação não seria usada para apurar determinados agentes, mas para protegê-los. Dantas disse que, diante da dificuldade de controlar órgãos como Polícia Federal, Receita Federal, Coaf e Ministério Público, o foco passa a ser o controle da narrativa.
De acordo com o jornalista, esse controle envolveria setores da mídia, aliados políticos no Senado e a construção de um discurso que permita direcionar investigações contra adversários políticos. Ele citou o Banco Master e afirmou que setores do PT da Bahia estariam envolvidos no caso. Disse ainda que declarações públicas de integrantes do governo seguiriam uma orientação política para preservar aliados.
A cientista política Júlia Lucy também comentou o tema e afirmou que o caso do Banco Master pode representar o risco de uma “segunda Lava Jato”. Segundo ela, a permanência do processo no STF é vista como insustentável por interlocutores da Corte. Júlia Lucy disse que uma das saídas cogitadas seria o envio do caso à primeira instância, como forma de reduzir desgaste institucional.
Ela mencionou declarações recentes dos ministros Edson Fachin e Gilmar Mendes, que afirmaram que os procedimentos adotados no caso estariam corretos. Gilmar Mendes, segundo ela, citou o arquivamento, pela Procuradoria-Geral da República, de pedidos de suspeição contra o ministro Dias Toffoli como prova de que “as instituições funcionam”.
Na parte final, Claudio Dantas afirmou que o cenário atual deve ser analisado sob a ótica eleitoral. Segundo ele, conflitos institucionais em 2026 têm peso distinto dos anos anteriores. Dantas disse que Renan Calheiros se envolveu diretamente na disputa e articulou a criação de uma comissão no Senado. Ele afirmou que, na Câmara, não haveria garantia de instalação de uma CPI do Banco Master, apontando resistência da atual e da antiga presidência da Casa.
