Entenda o caso do Resort ligado ao Toffoli
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Justiça

Entenda o caso do Resort ligado ao Toffoli

Negócios envolvendo fundos investigados e familiares do ministro ampliam questionamentos sobre a relatoria

Funcionários tratam Toffoli como dono de resort, diz site
Foto: Montagem (Rosinei Coutinho/SCO/STF e Reprodução)

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a ser alvo de questionamentos após a divulgação de informações sobre um resort no Paraná ligado a seus parentes, enquanto ele atua como relator do inquérito que apura fraudes envolvendo o Banco Master.

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O Tayayá Resort, localizado em Ribeirão Claro (PR), aparece em meio às controvérsias sobre a condução das investigações do caso Master. A propriedade esteve vinculada a irmãos do ministro e foi objeto de transações envolvendo pessoas e fundos citados nas apurações.

Dados públicos indicam que o resort teve como sócios Igor Luiz Pires Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro. Em abril de 2025, o empreendimento foi adquirido pelo advogado Paulo Humberto Barbosa, que atua para a JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

A operação de compra envolveu um fundo de investimento administrado pela Reag, instituição citada na Operação Carbono Oculto, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e que também aparece no contexto do caso Master.

Registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontam que a Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia realizou um aporte de R$ 4,3 milhões para aquisição de participação no resort. O fundo é administrado pela Reag, que também teria investido R$ 16,3 milhões na DGEP Empreendimentos, empresa que já teve como sócio um primo de Toffoli.

A DGEP Empreendimentos está registrada no mesmo endereço do Tayayá Resort e utiliza o e-mail do empreendimento como contato, segundo dados da Receita Federal.

Relatório do Banco Central enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU) aponta que, entre julho de 2023 e julho de 2024, o Banco Master e fundos administrados pela Reag estruturaram operações em desacordo com normas do Sistema Financeiro Nacional. As transações somam R$ 11,5 bilhões e envolvem suspeitas de falhas graves de gestão de risco, crédito e liquidez.

O documento também registra ausência de garantias, falta de diversificação dos ativos e suspeita de pulverização de recursos em nome de terceiros por meio dos fundos investigados.

Além das relações societárias, dados do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) mostram o pagamento de ao menos R$ 450 mil em diárias a servidores para prestar apoio em segurança e transporte a uma autoridade do STF em Ribeirão Claro, entre 2022 e 2025. As informações não especificam o nome do ministro atendido, mas os períodos coincidem com estadias frequentes de Toffoli na região.

Em 2017, Toffoli recebeu o título de cidadão honorário da Câmara Municipal de Ribeirão Claro. O decreto legislativo cita sua “constante atenção” ao município e atuação para manutenção da zona eleitoral local. Em 2019, o ministro participou da inauguração do Fórum Eleitoral Luiz Toffoli, que leva o nome de seu pai, em viagem realizada com aeronave da Força Aérea Brasileira.

Diante das revelações, o deputado federal Sanderson (PL-RS) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Nos ofícios, o parlamentar pede apuração sobre eventual participação econômica direta ou indireta de Toffoli no resort e a adoção de medidas cabíveis.

Procurada, a Reag informou que não comentará o caso. A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, negou envolvimento com fraudes ou fundos ilícitos e afirmou que o banco não foi gestor, administrador ou cotista dos fundos citados.

O presidente do STF, Edson Fachin, divulgou nota em defesa de Toffoli. Afirmou que não há irregularidade na atuação do ministro e que o Supremo “não se curva a ameaças ou intimidações”. Segundo Fachin, eventuais inconsistências poderão ser analisadas após o recesso do Judiciário.

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