Girão aciona PGR para apurar atuação de Toffoli em inquérito do Master
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Justiça

Girão aciona PGR para apurar atuação de Toffoli em inquérito do Master

Representação questiona envio de provas ao STF e aponta risco à imparcialidade do relator

O senador também aponta possíveis conflitos de interesse envolvendo familiares e pessoas próximas ao ministro. Foto: Jeferson Rudy/Agência Senado

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Por Redação

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para apurar a atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no inquérito que investiga supostas fraudes envolvendo o Banco Master.

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A representação foi protocolada na semana passada e é dirigida ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. No documento, Girão pede a abertura imediata de procedimento investigatório e uma análise técnica independente para verificar possível conflito de interesses ou impedimento do ministro na condução do caso.

Entre os pontos questionados está a decisão de Toffoli que determinou que materiais apreendidos pela Polícia Federal fossem lacrados e enviados diretamente ao STF, o que inicialmente limitou o acesso da corporação às provas.

“Em especial, chama atenção a determinação do Ministro Dias Toffoli tomada no dia 14/01/2026, na nova fase da Operação Compliance Zero, de que materiais lacrados apreendidos em investigação federal sejam remetidos diretamente ao STF, onde permanecem sob custódia da própria Corte, sem o devido exame técnico pela Polícia Federal”, diz a representação.

Após a repercussão negativa da medida, Toffoli autorizou que a Procuradoria-Geral da República analisasse o material e, posteriormente, liberou o acesso da Polícia Federal às provas. Ainda assim, o senador afirma que a decisão comprometeu a atuação constitucional do órgão investigador.

“A ausência de critérios objetivos cria precedente perigoso que permite ao magistrado avocar competências técnicas que não possui, neutralizar o trabalho investigativo de órgãos especializados e concentrar poderes incompatíveis com o sistema acusatório”, afirmou Girão no documento.

O senador também aponta possíveis conflitos de interesse envolvendo familiares e pessoas próximas ao ministro. Segundo ele, relações comerciais com personagens ligados ao Banco Master levantam dúvidas sobre a imparcialidade do relator.

“O contexto se torna ainda mais delicado quando consideramos que familiares próximos do Ministro Toffoli e pessoas de seu círculo íntimo mantêm relações comerciais com possíveis envolvidos no escândalo do Banco Master. Tais circunstâncias levantam questões inevitáveis sobre imparcialidade judicial e conflito de interesses, princípios fundamentais do Estado de Direito”, diz o texto.

Girão cita reportagem da Folha de S.Paulo sobre vínculos entre empresas ligadas a parentes de Toffoli e o fundo Reag, investigado por suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo o banco.

Além da representação à PGR, parlamentares apresentaram pedido de impeachment contra o ministro e o Senado criou um grupo para acompanhar os desdobramentos do caso Master.

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