O senador Eduardo Girão (Novo-CE) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para apurar a atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no inquérito que investiga supostas fraudes envolvendo o Banco Master.
A representação foi protocolada na semana passada e é dirigida ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. No documento, Girão pede a abertura imediata de procedimento investigatório e uma análise técnica independente para verificar possível conflito de interesses ou impedimento do ministro na condução do caso.
Entre os pontos questionados está a decisão de Toffoli que determinou que materiais apreendidos pela Polícia Federal fossem lacrados e enviados diretamente ao STF, o que inicialmente limitou o acesso da corporação às provas.
“Em especial, chama atenção a determinação do Ministro Dias Toffoli tomada no dia 14/01/2026, na nova fase da Operação Compliance Zero, de que materiais lacrados apreendidos em investigação federal sejam remetidos diretamente ao STF, onde permanecem sob custódia da própria Corte, sem o devido exame técnico pela Polícia Federal”, diz a representação.
Após a repercussão negativa da medida, Toffoli autorizou que a Procuradoria-Geral da República analisasse o material e, posteriormente, liberou o acesso da Polícia Federal às provas. Ainda assim, o senador afirma que a decisão comprometeu a atuação constitucional do órgão investigador.
“A ausência de critérios objetivos cria precedente perigoso que permite ao magistrado avocar competências técnicas que não possui, neutralizar o trabalho investigativo de órgãos especializados e concentrar poderes incompatíveis com o sistema acusatório”, afirmou Girão no documento.
O senador também aponta possíveis conflitos de interesse envolvendo familiares e pessoas próximas ao ministro. Segundo ele, relações comerciais com personagens ligados ao Banco Master levantam dúvidas sobre a imparcialidade do relator.
“O contexto se torna ainda mais delicado quando consideramos que familiares próximos do Ministro Toffoli e pessoas de seu círculo íntimo mantêm relações comerciais com possíveis envolvidos no escândalo do Banco Master. Tais circunstâncias levantam questões inevitáveis sobre imparcialidade judicial e conflito de interesses, princípios fundamentais do Estado de Direito”, diz o texto.
Girão cita reportagem da Folha de S.Paulo sobre vínculos entre empresas ligadas a parentes de Toffoli e o fundo Reag, investigado por suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo o banco.
Além da representação à PGR, parlamentares apresentaram pedido de impeachment contra o ministro e o Senado criou um grupo para acompanhar os desdobramentos do caso Master.
