Recém-nomeado para o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva iniciou as primeiras articulações para estruturar a pasta. O ministro telefonou ao presidente do Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública, Jean Nunes, para tratar da agenda de segurança pública.
O contato foi compartilhado internamente com secretários estaduais e recebeu avaliação positiva. Segundo integrantes do conselho, o gesto foi interpretado como sinal de abertura ao diálogo institucional.
Antes da nomeação, o Consesp havia defendido outros nomes para o cargo e reiterado a posição favorável à separação entre Justiça e Segurança Pública. O Lula optou por manter a estrutura atual. Wellington indicou, porém, disposição para ampliar canais de interlocução com os estados.
Após a primeira reunião com Lula no Palácio do Planalto, o ministro afirmou que o combate ao crime organizado será tratado como “ação de Estado”. Segundo ele, a estratégia envolve atuação coordenada entre Executivo, Ministério Público e Judiciário.
“Houve uma decisão do presidente da República, compartilhada por todos esses atores, de elevar ao status de ‘ação do Estado’ o combate ao crime organizado”, disse.
Wellington defendeu “sintonia absoluta” entre os órgãos, com respeito aos limites constitucionais. “É fundamental que órgãos de Estado, como o Ministério Público, e o reconhecimento da relevância e gravidade da questão, por parte também do Poder Judiciário, estejam em sintonia absoluta e perfeita em relação a esses casos”, afirmou.
O ministro disse ainda que as ações do Executivo, embora “competentes”, dependem da colaboração de outros órgãos para ampliar a efetividade. “Cada um dos atores públicos terá uma ação articulada para atuar no combate ao crime”, declarou.
Ainda nesta quinta-feira (15), Wellington informou que novas reuniões internas estão previstas para discutir prioridades da pasta e definir a equipe ministerial. Ele também pretende se reunir com secretários nacionais e estaduais de segurança.
Mais cedo, Lula convocou encontro com ministros e autoridades para discutir segurança pública. Participaram o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda Fernando Haddad, o chefe da Secom Sidônio Palmeira, além do presidente do Banco Central Gabriel Galípolo.
Também estiveram presentes o ministro do STF Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues.
Segundo Wellington, a reunião buscou alinhar procedimentos entre os órgãos. “Na prática, isso significa dizer que a Receita Federal e a Polícia Federal atuam num primeiro momento, mas, em determinado instante, o Ministério Público e o Judiciário precisam entrar e ajustar essa sintonia”, afirmou.
Questionado sobre a Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta semana, o ministro disse apenas que o tema foi tratado de forma ampla, como diretriz geral de atuação do Estado, sem referência a casos específicos.
