A operação deflagrada hoje pela Polícia Federal, por determinação de Dias Toffoli, empurra Daniel Vorcaro para um acordo de colaboração premiada, justamente por ter entre os alvos seu pai, sua irmã e o cunhado do banqueiro. Os investigadores alegam que a família teria sido usada para dissimulação patrimonial. A defesa nega.
Um dos objetivos da PF é apreender os celulares dos familiares para tentar obter mais informações sobre a própria atuação de Vorcaro e suas relações políticas, uma vez que até agora os agentes não conseguiram quebrar a criptografia do aparelho do banqueiro. O envolvimento da família tende a desestabilizá-lo emocionalmente, forçando uma delação.
A decisão de Dias Toffoli também tem o efeito de retirar parte da pressão da mídia sobre o ministro, acusado de tentar abafar o caso, constranger o Banco Central e incentivar o TCU a apontar erros da autarquia na liquidação do banco de Vorcaro.
Com dificuldade para resgatar os bilhões desviados dos correntistas, Toffoli também mandou bloquear até R$ 5,7 bilhões em bens dos familiares do banqueiro e de outros empresários supostamente envolvidos na fraude financeira, como o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-CEO da gestora Reag.
Apesar de toda a expectativa sobre uma eventual delação de Vorcaro, não dá para ter muita esperança sobre como informações estratégicas ou comprometedoras de autoridades podem ser usadas por Toffoli, que controla os desdobramentos da operação.
Ontem, Alexandre de Moraes abriu inquérito para apurar supostos vazamentos de dados fiscais da esposa, Viviane Barci de Moraes, e de Roberta Rangel, ex de Toffoli.
