Jornalista diz que soltura ocorreu por pressão dos EUA e critica prisões políticas
Durante o programa Alive, exibido nesta sexta-feira (9), o apresentador Claudio Dantas comentou a libertação de um primeiro grupo de presos políticos na Venezuela e criticou a tentativa do governo venezuelano de atribuir a mediação do processo ao presidente Lula (PT).
Segundo Dantas, a soltura de pouco mais de 800 detentos, anunciada dias após a queda de Nicolás Maduro, representa apenas um passo inicial diante do número ainda elevado de opositores mantidos em prisões políticas no país.
“A gente teve a libertação do primeiro contingente de presos políticos, mais de 800 pessoas. Ainda tem muita gente presa, inclusive no Helicoide (centro de detenção em Caracas, capital do país)”, afirmou.
Após o anúncio da libertação dos reféns pelo governo interino da Venezuela, comandado por Delcy Rodríguez, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, afirmou na quinta-feira (8) que a medida teria como objetivo “consolidar a paz” e classificou a decisão como um gesto unilateral.
Apesar disso, agradeceu a atuação de lideranças internacionais, incluindo o presidente Lula, o ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e o governo do Catar.
Para Dantas, a versão não se sustenta.
“Nem o Lula sabia disso. Ele foi surpreendido quando foi citado como alguém que teria intermediado a libertação de presos políticos. Você acha mesmo que o Lula está preocupado com preso político na Venezuela?”, questionou.
O jornalista atribuiu o avanço na libertação de opositores à pressão dos Estados Unidos após a captura de Maduro.
“Dias antes, o Trump já tinha deixado claro que uma das exigências do governo americano era o fechamento do Helicoide, que virou uma prisão política. Isso não foi gesto humanitário espontâneo”, disse.
Ao ampliar o debate, Dantas traçou um paralelo entre a situação da Venezuela e prisões ocorridas no Brasil após os atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Segundo o apresentador, há casos de pessoas detidas ou submetidas a medidas cautelares sem que, na avaliação dele, existam provas individualizadas de crimes.
“Não podemos tolerar presos políticos, presos por opinião, presos porque pensam diferente. Não há nada que justifique isso. Qualquer pessoa que tenta justificar esse tipo de prisão é canalha”, afirmou durante o programa.
