Referência em análise de risco marcou gerações com estudos sobre crédito, empresas e finanças
Morreu nesta segunda-feira o professor e consultor empresarial Stephen Charles Kanitz, aos 79 anos. Até o momento, não há informações oficiais sobre a causa da morte. 
Stephen Kanitz era considerado uma das principais referências em gestão empresarial, análise de risco e contabilidade no Brasil. Ficou conhecido pelo desenvolvimento do “Termômetro de Kanitz”, método criado a partir do artigo “Como Prever Falências”, publicado em 1974, que revolucionou a análise de risco de crédito no país.
Kanitz nasceu em São Paulo, em 30 de janeiro de 1946. Formou-se em Contabilidade pela Universidade de São Paulo (USP), tornou-se mestre em Administração pela Harvard Business School e doutor em Ciências Contábeis pela USP. Foi professor titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP.
Nas redes sociais e em artigos, Kanitz defendia sua ideologia política e se identificava como um “comunitarista”, corrente filosófica e política que critica o liberalismo.
Entre suas contribuições, criou o ranking “Maiores e Melhores” da revista Exame, marco do movimento de benchmark no Brasil. Também atuou na introdução do uso de planilhas eletrônicas em estudos econômicos e liderou propostas técnicas na renegociação da dívida externa brasileira.
Kanitz foi colunista da revista Veja por mais de uma década e autor de diversos livros, entre eles “O Brasil que Dá Certo”, obra que antecipou o sucesso do Plano Real e lhe rendeu o Prêmio Jabuti em 1995.
Além da atuação técnica, Kanitz tornou-se um crítico do modelo econômico defendido pelo PT e pelo presidente Lula, especialmente na área da Previdência.
Em 26 de dezembro de 2023, publicou o artigo “Meu encontro com Lula”, no qual relatou uma reunião ocorrida em 2001, quando Lula ainda era candidato à Presidência. No texto, Kanitz descreveu o alerta que fez ao petista sobre o sistema previdenciário.
Segundo o próprio Kanitz, ele afirmou a Lula:
“O problema número um é o sistema de previdência por repartição, onde o Estado retira 28% dos salários dos trabalhadores jovens para pagar as aposentadorias da velha geração de funcionários públicos, professores de sociologia e idosos em geral.”
No mesmo artigo, também escreveu:
“Se você não realizar imediatamente uma reforma no primeiro ano de governo, uma reforma conforme a Constituição manda no artigo 201 ‘observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial’ o Brasil não crescerá nos próximos 30 anos.”
Ao longo da carreira, Kanitz publicou dezenas de artigos técnicos, participou de fóruns internacionais, integrou o Conselho do Fundo de Solidariedade do Estado de São Paulo e atuou como árbitro da Bovespa na Câmara de Arbitragem do Novo Mercado.
Sua trajetória influenciou gerações de empresários, economistas e formuladores de políticas públicas no país.
A família do professor divulgou que o corpo será velado e enterrado no Parque Morumby, hoje (24).
