Oposição aponta impacto econômico em proposta do MMA
O programa Alive, apresentado no Youtube pelo jornalista Claudio Dantas nesta quarta-feira (22), recebeu o deputado Evair de Melo (PP-SP), vice-líder da oposição, para debater a proposta do Ministério do Meio Ambiente que inclui espécies amplamente cultivadas no Brasil em uma lista de exóticas invasoras.
A iniciativa, em consulta pública, é coordenada pela Comissão Nacional da Biodiversidade (Conabio) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), gerou forte reação do campo oposicionista.
“A postura adotada apresenta um descompasso em relação às atividades econômicas consolidadas no Brasil, algumas delas com mais de um século de existência”, afirmou Evair.
Na lista estão frutas como manga, jaca e goiaba, peixes como tilápia, pirarucu e camarão-branco, e espécies florestais como eucalipto e pinus, fundamentais para os setores de celulose, piscicultura e agricultura.
Segundo o deputado, a iniciativa “representa um risco considerável” por abrir espaço para manifestações contrárias às atividades produtivas.
“É preciso dar um basta nisso. Já estamos trabalhando em posições legislativas”, disse.
Na avaliação de Claudio Dantas, a ministra do MMA, Marina Silva, quer congelar o desenvolvimento do Brasil, “porque ela é um agente internacional”.
“Os efeitos cumulativos dessas medidas do governo Lula são deletérios, trazem insegurança jurídica e implodem a economia agrícola brasileira com potencial destrutivo para a cadeia inteira de abastecimento, impacto brutal na insegurança alimentar”, disse o jornalista
Segundo o biólogo geneticista Eli Vieira, comentarista do portal, é preciso separar a ciência ecológica do ativismo ideológico.
“Um preconceito comum no ativismo ambiental é tratar todas as espécies exóticas como automaticamente prejudiciais. A realidade é mais complexa”, ponderou.
Vieira citou exemplos em que espécies exóticas desempenham papéis benéficos, como o eucalipto na costa da Califórnia e a criação de gado no Pantanal.
Ele defende que listas como as propostas deveriam ser construídas com base em evidências científicas e publicadas por entidades técnicas, não por órgãos executivos com agendas políticas.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) alertou que a classificação pode dificultar o licenciamento, o crédito e a certificação sanitária.
Já o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que a lista “tem caráter técnico e preventivo, sem implicar proibição ou banimento”.
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