Do Val confronta Andrei por uso político da PF
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Política

Do Val confronta Andrei por uso político da PF

Em oitiva na CPI, PF e Marcos do Val divergem sobre postagens, ameaças e uso político da corporação; Andrei Rodrigues defende atuação técnica.

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Diretor-geral rebate senador, reafirma denúncias e rejeita acusação de perseguição da PF

A CPI do Crime Organizado registrou nesta terça-feira (18) um confronto direto entre o senador Marcos do Val (Podemos-ES) e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. No início da fala, o senador afirmou que há “uso coordenado das estruturas estatais” para blindar aliados do governo e “intimidar opositores” por meio de investigações seletivas, vazamentos e medidas cautelares direcionadas. Segundo ele, esse ambiente representaria “um processo em curso” dentro da PF e exigiria atuação do colegiado para “restabelecer a governança”.

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Do Val contestou declarações feitas por Andrei a empresários, segundo as quais ele teria publicado fotos da filha de 5 anos e da esposa de um delegado da PF com a legenda “procura-se vivo ou morto”. O senador negou o episódio e afirmou que a imagem citada na controvérsia seria uma montagem feita por inteligência artificial, sem qualquer vínculo com familiares do delegado. “A postagem original não continha a legenda mencionada, nem fotos da família do delegado”, afirmou. Ele também disse que seu gabinete foi alvo de busca e apreensão sem autorização da Procuradoria-Geral da República, o que classificou como “ato ilegal”.

O senador relatou ainda que é tratado como alvo político e citou documentos internacionais que o classificariam como perseguido. Também rebateu acusações de obstrução, corrupção de menores e vínculo com organização criminosa. Segundo ele, suas ações decorrem do trabalho em comissão representativa do Senado e do dever de investigar autoridades do Judiciário.

AO VIVO: CPI do Crime Organizado ouve Andrei Rodrigues
Foto: Reprodução/TV Senado

Em resposta, Andrei Rodrigues afirmou que não comentaria o mérito de processos em andamento e explicou que a definição de organização criminosa exige “pluralidade de agentes, estrutura hierárquica, divisão de tarefas e vantagem ilícita”. Ele rejeitou a acusação de uso político da PF. “Desafio quem quer que seja a mostrar concretamente qualquer perseguição ou proteção”, disse. O diretor ressaltou que operações recentes atingiram diferentes grupos políticos. “A PF se mantém como polícia de Estado e cumpre sua missão.”

Sobre o caso das postagens, Rodrigues reafirmou o relato feito anteriormente. “A partir da sua postagem, senador, houve várias postagens subsequentes que incluíram a expressão ‘vivo ou morto’, com fotos de uma criança e da esposa do delegado”, afirmou. Ele disse ainda que “prisão não é desejo de ninguém; é resultado de conduta prevista na lei”, ao comentar interpretações sobre reportagens citadas pelo parlamentar.

O diretor também defendeu a legalidade das ações envolvendo o senador. “Cumprimentos de decisões judiciais se dão exclusivamente mediante ordem judicial; não houve ato ilícito”, declarou. Segundo ele, o indiciamento segue critérios técnicos e autonomia do responsável pelo inquérito.

O embate elevou a tensão na CPI, que apura possíveis abusos e interferências em investigações nacionais. Marcos do Val afirma ser alvo de perseguição e cobrou que a PF apresente provas do conteúdo atribuído a ele. A equipe deste site buscou o senador para garantir o direito de tréplica solicitado na CPI, mas ainda não houve resposta.

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