Andrei Rodrigues relata esquema internacional de fuzis e defende integração de dados e tecnologia nas fronteiras
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou hoje (18) que a corporação enfrenta operações cada vez mais sofisticadas no combate ao crime organizado. Durante a oitiva na CPI do Crime Organizado, ele citou a maior apreensão recente de armas longas no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, em carga enviada de Miami e ocultada em aquecedores de piscina.
“A apreensão resultou na confiscação de aproximadamente duzentas armas longas”, disse. Segundo Rodrigues, o embarque nos Estados Unidos ocorreu sem inspeção por raio-x.
Ele relatou ainda outra grande apreensão na Barra da Tijuca. As investigações levaram à identificação de fábricas clandestinas em diferentes Estados. A Operação Forja revelou uma estrutura em São Paulo com capacidade para produzir até 3.500 fuzis por mês.
“A fábrica no Rio de Janeiro fabricava peças, montava armas e replicava modelos de marcas consagradas”, afirmou. De acordo com Rodrigues, parte das armas entra no país por meio da importação fracionada de componentes, dificultando a detecção nos portos e aeroportos.
O diretor destacou a ampliação da cooperação internacional. Ele citou parcerias já concluídas com Paraguai, Mato Grosso do Sul e Paraná, além de projetos já finalizados com Colômbia, Peru, Acre e Amazonas. O próximo passo é o projeto Mitra, envolvendo Amazonas e Roraima, voltado à fronteira com a Venezuela. “O projeto Mitra reforça a importância das barreiras eletrônicas e da integração de bases de dados”, disse. Rodrigues afirmou que a PEC em análise no Congresso é essencial para unificar sistemas hoje dispersos e dar mais velocidade às investigações.
Ele mencionou também o programa Brasil Mais, financiado pelo Fundo Amazônia, que usa satélites operando 24 horas para identificar garimpo ilegal, desmatamento e extração de ouro. Com novos investimentos, essa tecnologia poderá ser ampliada para outras áreas do país.
Por fim, Rodrigues confirmou que o governo pretende padronizar a nomenclatura das guardas municipais. “A nomenclatura será alterada para Polícia Municipal”, declarou durante a oitiva.
