Motta cancela comissões e adia votação do PL Antiterrorismo
Brasília, Quinta, 02 de julho de 2026
Política

Motta cancela comissões e adia votação do PL que equipara facções a terroristas

Hugo Motta cancela reuniões de comissões e adia votação do PL Antiterrorismo. Medida atende ao governo e impede avanço de projeto apoiado pela oposição

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

Decisão atende pedido do governo e frustra tentativa da oposição de votar o texto na CCJ nesta semana

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), cancelou todas as reuniões de comissões previstas para esta quarta-feira (5), o que impediu a análise do PL Antiterrorismo, que equipara facções criminosas a grupos terroristas. A decisão ocorre após pressão do governo Lula, que tenta avançar com seu próprio texto, o chamado projeto “antifacção”, apresentado na semana passada.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

 

“Estou cancelando as comissões. Nós começaremos a sessão do Plenário às 10 horas da manhã, impreterivelmente, para apreciar os destaques ao texto do PL do Streaming e, em seguida, a pauta ambiental e do clima”, afirmou Motta.

A medida inviabiliza a votação do projeto relatado por Capitão Derite, de autoria do deputado Danilo Forte (União-CE). A proposta amplia a Lei Antiterrorismo para incluir facções como o Comando Vermelho e o PCC no enquadramento de crimes de terrorismo. O texto ganhou força após a operação policial que deixou mais de 120 mortos no Rio de Janeiro.

O presidente da CCJ, Paulo Azi (União-BA), tentou marcar a votação duas vezes nesta semana, mas as sessões foram esvaziadas. A oposição pretendia votar o projeto ainda nesta quarta, mas o cancelamento anunciado por Motta atendeu diretamente ao líder do governo, José Guimarães (PT-CE), que pediu o adiamento.

Guimarães argumenta que o tema deve ser analisado em uma comissão especial ou grupo de trabalho, e defende a substituição de Guilherme Derrite (PP-SP) como relator, por considerar que ele “não representa equilíbrio” na condução do parecer.

A ministra Gleisi Hoffmann (PT), da Secretaria de Relações Institucionais, ligou para parlamentares e pediu que a base aliada impedisse a reunião da CCJ, segundo apuração da Veja. A mobilização surtiu efeito, e o governo conseguiu adiar mais uma vez o avanço da proposta.

Apesar da manobra, deputados da oposição afirmam haver maioria para aprovar o texto. Governistas, porém, esperam que o impasse se estenda até que a pressão política causada pela operação no Rio diminua.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade