Esquerda elogia “operação sem tiro disparado” contra CV na BA, apesar de contradições
Brasília, Quinta, 02 de julho de 2026
Brasil

Esquerda elogia “operação sem tiro disparado” contra CV na BA, apesar de contradições

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Por Taís Hirschmann

Sob a gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT), a Polícia Militar da Bahia matou o dobro de pessoas em operações policiais do que a Polícia Militar de São Paulo

Após a deflagração da Operação Freedom, nesta terça-feira (4), parlamentares de esquerda reagiram positivamente, elogiando a atuação da Polícia Civil da Bahia e da Polícia Civil do Ceará, em uma operação “sem tiro disparado”. Os dois estados são governados por petistas: Elmano de Freitas (Ceará) e Jerônimo Rodrigues (BA).

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Personalidades de esquerda, como o deputado federal Rogério Correia (PT-MG), o senador Orlando Silva (PCdoB-SP) e o jornalista Willian De Lucca ressaltaram a ausência de mortes no dado oficial. Orlando pontuou, nas informações, o “contraste quando se usa inteligência”, dizendo que “prende-se os graúdos e não se aterroriza as comunidades.”

Outra a se manifestar foi a deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG): “Isso é segurança pública focada na raiz e desarticulação do crime, como tem que ser. Um trabalho inteligente, que busca de fato proteger a população.” Já o deputado federal Kiko Celeguim (PT-SP) foi mais enfático: “Segurança pública se faz com inteligência, não com carnificina.”

Operação foi menor, e PM da Bahia é a segunda mais letal do país

As manifestações, no entanto, contrastam com os dados. O volume das operações comparadas é diferente: a Operação Contenção tinha o dobro de mandados a cumprir (180) em relação à Operação Freedom (90).

A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou os corpos e constatou que 95% dos 117 civis mortos têm alguma ligação comprovada com o Comando Vermelho. Sobre os “graúdos”, a autoridade também informa que nove chefes do tráfico de cinco estados, contemplando todas as regiões do país.

O uso da inteligência também é alvo de controvérsia. Durante entrevista coletiva, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, deixou escapar que a superintendência do órgão soube com antecedência da operação no Rio, contradizendo a versão oficial do governo de que Cláudio Castro agiu às escuras.

Segundo Andrei, a PF negou participar, por acreditar estar fora de seu âmbito de atuação. Já o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, foi por outra linha: ele argumentou que tal comunicação deveria ocorrer entre membros de primeiro escalão, e não em comunicação com o superintendente.

No braço ostensivo das forças baianas, há ainda outro dado que contrasta com as manifestações da esquerda: sob a gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT), a Polícia Militar da Bahia matou o dobro de pessoas em operações policiais do que a Polícia Militar de São Paulo, comparando os dados até outubro de 2024.

São Paulo tem três vezes mais habitantes do que a Bahia, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com as altas taxas de mortes por policiais, a PM da Bahia é a segunda mais letal do Brasil, atrás apenas da do Amapá, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024.

No Rio de Janeiro, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ), foram registradas 699 mortes por intervenção de agentes do Estado em todo o ano de 2024, uma redução de quase 20% em relação a 2023.

 

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