O governo Lula (PT) intensificou o investimento em influenciadores digitais para melhorar sua imagem e ampliar o alcance em diferentes públicos. No 2º semestre, o Executivo firmou parcerias com produtores de conteúdo de várias regiões e estilos, com o objetivo de divulgar programas oficiais e exaltar a esquerda.
A estratégia petista elevou os gastos com publicidade nas redes sociais. O governo Lula é hoje o maior contratante de impulsionamento de publicações sobre política na Meta, dona do Facebook e do Instagram.
Em setembro, foram gastos pelo petista R$ 8,4 milhões em anúncios, um aumento de 360% em relação aos R$ 4,7 milhões investidos nos 60 dias anteriores.
A oposição questiona a Secom sobre o objetivo desse gasto, que coincide com a tramitação do projeto que isenta do IR quem ganha até R$ 5 mil. Parlamentares querem saber se as ações têm caráter informativo ou eleitoral.
Entre os contratados, de acordo com informações do jornal Gazeta do Povo, há influenciadores que não tratam diretamente de política. Com humor, eles falam sobre a cultura regional e o cotidiano, como o publicitário Paulo Victor “PV” Freitas, conhecido pelas piadas envolvendo o Nordeste, e a atriz Isis Vieira, que aborda o Norte com tom leve.
Outros preferem comentar temas de política e economia em tom analítico. Apresentam dados e opiniões, mas sem declarar alinhamento partidário. A maioria, porém, já defendia o governo Lula antes da parceria ou fazia críticas à direita.
A relação entre o governo e os influenciadores vai além das publicidades pagas. Parte deles também trabalha com o ICL Notícias (Instituto Conhecimento Liberta), site de viés de esquerda e que tem como um dos sócios o youtuber Felipe Neto.
Em setembro, o ICL realizou a conferência “Desperta 2025 – A Revolução Necessária”, com a presença de alguns desses influenciadores. Na semana passada, parte deles participou de um evento da Usina de Itaipu, promovido pelo governo federal.
A articulação entre poder e influenciadores não se restringe ao Executivo petista. Em agosto, o STF convidou 26 influenciadores, a maioria de esquerda, para um encontro de dois dias em Brasília. Em outubro, o PT de Lula promoveu o PTech, seminário voltado para “aprimorar a atuação do partido nas redes sociais”.
Conheça alguns dos influenciadores:
Lauany Schultz (Especialista em Direito do Estado)

Carolline Sardá (Publicitária e ativista feminista)

Laura Sabino (Criadora de conteúdo autodenominada marxista)

Thiago Foltran (criador de conteúdo voltado para “políticas públicas da esquerda”)

Beatris Brantes (Atriz e influencer)

Martina Giovanetti (Influencer de geopolítica, atualidades internacionais, economia e educação)
