Ministros criticam megaoperação no Rio que resultou na morte de 117 narcoterroristas
Durante sessão do Supremo, os ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes criticaram a megaoperação policial contra o Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro (RJ), que resultou na morte de pelo menos 117 narcoterroristas.
Segundo Dino, o Supremo não pretende impedir o trabalho das forças de segurança, mas também não pode legitimar um “vale-tudo com corpos estendidos e jogados no meio da mata”. Após a ação, moradores do Complexo da Penha encontraram diversos corpos de criminosos em uma área de mata.
“Esses eventos todos, essas tragédias todas, se prestam a mostrar que precisamos cuidar de uma teoria geral da ação policial, sobretudo no plano político, e procurar selecionar os casos concretos, mostrando uma posição institucional nossa, que não é impedir o trabalho da polícia, nunca foi”, disse o magistrado, ontem (29), durante sessão que julgou o uso da força policial contra manifestantes.
“Mas, ao mesmo tempo, não é de legitimar um vale-tudo com corpos estendidos e jogados no meio da mata, jogados no chão, porque isso não é Estado de Direito”, acrescentou Dino.
Já Gilmar, ao comentar o caso, classificou a megaoperação no Rio como um “lamentável episódio” e defendeu que a Corte estabeleça uma jurisprudência para garantir a realização de operações, “mas, ao mesmo tempo, não comporte abusos, muito menos violação dos direitos fundamentais”.
“Vivemos situações de graves ações policiais que causam danos às pessoas ou mesmo a morte de várias pessoas, que acabamos de ver neste lamentável episódio no Rio de Janeiro”, completou o magistrado.
