Com amplo acervo de luxo apreendido pela PF, Cavalcanti foi alvo de quatro requerimentos, quando a presença é obrigatória
A CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), que investiga fraudes em benefícios de aposentados e pensionistas, deve ouvir nesta segunda-feira (6), às 16h, o depoimento do empresário e economista Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti, ex-sócio do advogado Nelson Wilians, que já prestou esclarecimentos à comissão.
Cavalcanti foi alvo de quatro requerimentos de convocação, com presença obrigatória, aprovados pela CPMI do INSS. Inicialmente, ele seria ouvido em 29 de setembro, mas o depoimento foi adiado. Tanto Fernando quanto Nelson foram alvos de operação da Polícia Federal (PF) no dia 12 de setembro, e, na residência de Cavalcanti, foram apreendidos diversos artigos de luxo, como obras de arte, bebidas caras, carros e motos.
Segundo a investigação, foram identificadas imagens de empresários supostamente escondendo carros de luxo no estacionamento de um shopping em Brasília, em abril deste ano. As imagens de 22 de abril mostram Cavalcanti horas antes da deflagração da megaoperação. De acordo com as apurações, ele teria estacionado uma Ferrari vermelha e duas Mercedes na garagem do shopping. Os veículos só teriam sido retirados oito dias depois por um motorista do empresário, também suspeito de envolvimento no esquema.
“Fernando Cavalcanti tem outra empresa chamada FC Participações Unipessoal, e essa outra empresa tem 20% de participação — olha só — no NW Nelson Wilians Group, 20% de participação desse Sr. Fernando Cavalcanti, que, segundo a Polícia Federal, lavou dinheiro comprando carros de luxo e os escondeu aqui atrás”, afirmou o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) durante sessão da CPMI do INSS.
De acordo com a defesa do empresário, Fernando Cavalcanti não tem envolvimento com a fraude no INSS e não faz mais parte do escritório Nelson Wilians Advogados.
Entenda como começou a investigação da CPMI do INSS
Em abril, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) realizaram uma operação que revelou um esquema de fraudes no INSS.

De acordo com as investigações, os suspeitos cobravam mensalidades irregulares, descontadas diretamente dos benefícios de aposentados e pensionistas, sem a autorização prévia.
Os desvios aconteceram entre 2019 e 2024 e afetaram milhões de beneficiários, com um prejuízo total estimado em mais de R$ 6 bilhões.
