Debate hoje aborda candidaturas avulsas e retorno do financiamento privado
No programa Alive desta sexta-feira (2), apresentado por Claudio Dantas no YouTube, o jornalista afirmou que o fundo eleitoral “saiu do controle” e defendeu a reabertura do debate sobre o financiamento de campanhas.
Dantas lembrou que a adoção do financiamento público ocorreu durante a Lava Jato, quando vieram à tona os esquemas de caixa dois e caixa três. Segundo ele, a proibição do financiamento privado sempre foi uma pauta do PT.
“Esse sempre foi um tema do PT. Hoje, depois de mais de cinco anos de financiamento público, a gente percebe que quem paga a conta no final é sempre o contribuinte. Essa conta acaba trazendo questionamentos sobre regras de distribuição, direcionamento para candidatos escolhidos por caciques partidários e o uso do fundo por partidos de aluguel”, disse.

Claudio disse que passados mais de cinco anos da mudança, a conta continua recaindo sobre os contribuintes e ainda gera distorções. Ele citou abusos no uso do fundo, partidos de aluguel criados para acessar recursos e distribuição controlada por dirigentes partidários.
O apresentador também criticou a falta de formação de quadros políticos pelos partidos. Disse que muitos parlamentares desconhecem tecnicamente as matérias em votação e defendeu que, se ao menos os recursos fossem usados para esse fim, haveria algum retorno à sociedade.
“Há uma negligência dos partidos nessa obrigação. Muitas vezes deputados e senadores desconhecem tecnicamente as matérias que estão votando. Se o financiamento público fosse usado para formar quadros, ao menos haveria uma contrapartida para a sociedade. Não é o que acontece”, afirmou.
A defesa de candidaturas avulsas
A cientista política Júlia Lucy participou do debate e defendeu a possibilidade de candidaturas avulsas.
“Hoje no Brasil eu duvido que alguém encontre um partido com o qual se identifique 100%. O brasileiro gostaria de ver a possibilidade de candidaturas avulsas, independentes dos partidos”, disse.
Para Júlia, há uma desconexão entre os aumentos anuais desse financiamento e as necessidades da população diante do contingenciamento em áreas como saúde, educação e infraestrutura.
Transparência e limites no financiamento empresarial
Sobre o financiamento privado, a analista afirmou que prefere a retomada, desde que com limites. Ela argumentou que as empresas já influenciam decisões por meio de lobby e que a proibição apenas estimula o caixa dois.
“É melhor que as coisas sejam transparentes do que escondidas. As empresas já influenciam votações por meio de lobby. Quando você proíbe o financiamento de campanha, isso não significa que elas deixem de ter candidatos. Só dificulta a transparência e estimula o caixa dois”, afirmou.
Júlia ressaltou que a regulação deve impedir que grandes grupos empresariais financiem muitos candidatos ao mesmo tempo, o que poderia ampliar a concentração de poder no Congresso. Para ela, a regra deve retornar, mas acompanhada de restrições.
“Defendo que haja restrições para evitar o abuso do poder econômico. Um grupo empresarial muito forte não pode financiar diversos candidatos e dominar o Congresso. Mas é importante que o eleitor saiba quem financia cada um. Isso é transparência e accountability”, concluiu.
