Câmara de BH marca dia da Liberdade de Expressão
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Câmara de BH marca Dia da Liberdade de Expressão com críticas ao STF

Reunião solene sobre Liberdade de Expressão na Câmara Municipal de BH reuniu apoiadores da direita na noite de segunda. Foto: Rafaella Ribeiro/CMBH
Reunião solene sobre Liberdade de Expressão na Câmara Municipal de BH reuniu apoiadores da direita na noite de segunda. Foto: Rafaella Ribeiro/CMBH

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Por Marília Rodrigues

Evento homenageou movimentos cívicos e teve discursos contra decisões do Supremo sobre os atos de 8 de Janeiro

A Câmara Municipal de Belo Horizonte realizou na última noite (29) uma Reunião Especial alusiva ao Dia Nacional da Liberdade de Expressão. O evento, proposto pelo vereador Uner Augusto (PL), reuniu parlamentares, ativistas e familiares de investigados pelos atos de 8 de Janeiro. A sessão foi marcada por homenagens e críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).

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Foram entregues certificados a 22 cidadãos e representantes de movimentos cívicos, em reconhecimento ao “compromisso com os princípios que guardam a verdade, a justiça e o respeito”.

Em seu discurso, Uner Augusto citou incisos do artigo 5º da Constituição e declarou: “Se não for para viver numa república livre, não tem porque existir uma nação”. Ele criticou o ministro do STF Alexandre de Moraes, chamando-o de “o primeiro ministro brasileiro a ser sancionado internacionalmente”.

Vereadores Jalyson, Uner Augusto e Pablo Almeida, do PL-MG.
Vereadores Jalyson, Uner Augusto e Pablo Almeida, do PL-MG. Foto: Rafaella Ribeiro /CMBH

O parlamentar também mencionou episódios de censura, como a suspensão da Revista Crusoé, a retirada do canal Terça Livre do ar e a censura prévia do documentário “Quem mandou matar Jair Bolsonaro?”, produzido pela Brasil Paralelo.

Clamor por anistia e depoimentos de familiares do 8 de janeiro

O vereador Pablo Almeida (PL), o mais votado da capital mineira, abriu sua fala com gritos de “Fora Moraes” e “Fora Lula”. Ele defendeu uma anistia “ampla, geral e irrestrita” para os condenados pelos atos de 8 de Janeiro.

“Essa é a nossa pauta, e a gente não vai parar enquanto não conseguir isso”, disse. Ele lembrou que a Câmara de BH aprovou moção de repúdio contra Moraes.

O momento mais emotivo ocorreu com o relato de Júlio César de Oliveira Júnior, filho de um réu de 76 anos preso após os atos. Ele contou que o pai foi impedido de comparecer ao casamento da filha, apesar de pedido feito com base na Lei de Execução Penal.

“Nossas famílias não são só números! Somos famílias com vidas destroçadas”, disse, sob aplausos. Segundo ele, a defesa só teve acesso a provas depois da sentença.

Júlio César de Oliveira Júnior, filho de um réu de 76 anos preso após os atos de 8 de janeiro.
Júlio César de Oliveira Júnior, filho de um réu de 76 anos preso após os atos de 8 de janeiro. Foto: Rafaella Ribeiro/CMBH

Contexto e repercussão

O encontro exibiu o vídeo Quantas vozes o Supremo calou?, produzido pela Gazeta do Povo, com relatos de pessoas afetadas por decisões judiciais após o 8 de Janeiro.

A reunião ocorreu em meio a debates nacionais sobre os limites da liberdade de expressão e a atuação do STF. A mobilização deve repercutir no cenário político mineiro e pode influenciar discussões futuras no Congresso.

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