Nelson Wilians depõe na CPMI e nega conhecer “Careca do INSS”
O advogado Nelson Wilians prestou depoimento agora há pouco (18) à CPMI do INSS e negou qualquer envolvimento nas fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas. Ele disse não conhecer Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como operador do esquema.
“Lesar um aposentado já é um crime gravíssimo por si só, lesar milhões de aposentados é um atentado inaceitável que não agride apenas o indivíduo, mas toda a nossa sociedade. É isso que o Nelson pensa”, afirmou.
Segundo o advogado, seu nome foi citado de forma equivocada. “Não tenho nenhuma participação. Eu não conheço o Careca do INSS. Eu só vim a ter conhecimento dessa figura e desse nome a partir das notícias. Que não paire dúvida: eu não conheço”, disse.
Relatórios do Coaf apontaram movimentações atípicas de cerca de R$ 4,3 bilhões entre 2019 e 2024 em contas do escritório de Wilians. Parte dos valores está ligada a empresas e indivíduos já presos, como Maurício Camisotti e o próprio “Careca do INSS”.
Sobre Camisotti, Wilians confirmou proximidade. “Esse eu conheço. Ele foi apresentado por um amigo em comum. Minha relação com Maurício iniciou profissional e passou para amizade.” Segundo a Polícia Federal, o escritório do advogado recebeu pagamentos de investigados e fez uma transferência para Camisotti, suspeita de lavagem de dinheiro. A defesa, porém, afirma que a operação se refere à compra de um terreno vizinho à residência de Wilians, transação “lícita e de fácil comprovação”.
No último dia 12, a Operação Cambota cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao advogado. Foram apreendidos obras de arte, dinheiro em espécie, relógios, armas e carros de luxo, entre eles uma Ferrari F8 e uma réplica da McLaren MP4/8 usada por Ayrton Senna na Fórmula 1. Na mesma ação, Camisotti foi preso.
Wilians disse ter “grande admiração pela Polícia Federal” e que respeita o trabalho de apuração. “A PF tem o papel de apurar. Se ela achou que aquele era o caminho, a mim cabe respeitar, a mim cabe acatar. Não acho que ela errou. Eu tenho uma grande admiração pela Polícia Federal. Eu tenho uma grande admiração pelos nossos órgãos.”
Convocado como testemunha, o advogado obteve habeas corpus do ministro Nunes Marques (STF), que lhe garantiu o direito de permanecer em silêncio.
Nelson afirmou agora há pouco que “não tem nada haver com o objeto de investigação dessa CPMI” e se recusa a responder todas as perguntas feitas pelo atual relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).
