A CPMI do INSS aprovou nesta terça-feira (16) a convocação de seis novos depoentes, incluindo o advogado Nelson Wilians e familiares de investigados. A decisão, tomada em sessão extraordinária, é uma resposta direta à ausência de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, que se recusou a depor na comissão na segunda.
As convocaçôes foram aprovadas por um acordo entre as lideranças da oposição e do governo. Além de Nelson Wilians, os requerimentos aprovados incluem a esposa e o filho de “Careca do INSS” e a esposa e sócia de Maurício Camisotti. O objetivo da comissão é ouvir os depoimentos já na quinta-feira (17).
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que a recusa de Antunes em comparecer, baseada em uma decisão do ministro André Mendonça do STF, foi a principal motivação para a convocação dos familiares e demais envolvidos.
Viana criticou a decisão judicial, que permitiu a Antunes escolher se compareceria, e sugeriu que o Congresso pode propor mudanças na legislação das CPIs para evitar a interferência do Judiciário.
Ainda de acordo com o senador, a decisão de ouvir Nelson Wilians se baseia em “transações suspeitas” com Maurício Camisotti. Uma operação da Polícia Federal (PF), realizada na última sexta-feira (12), que prendeu Camisotti e apreendeu bens de luxo, reforçou as suspeitas da comissão.
Como o Portal Claudio Dantas revelou, o escritório de Nelson Wilians movimentou R$ 4,3 bilhões entre 2019 e 2024, com transações que levantaram a atenção das autoridades, especialmente as realizadas com Camisotti, apontado como sócio oculto de uma das entidades fraudadoras — O advogado será ouvido na condição de testemunha.
A comissão também aprovou a convocação dos familiares para buscar informações sobre as movimentações financeiras. O vice-presidente da CPMI, deputado Duarte Jr. (PSB-MA), destacou que a esposa de “Careca” tem transações suspeitas e teria comprado uma casa de luxo em Brasília.
O deputado também anunciou que a CPMI do INSS aprovou a convocação dos sócios de Antunes: Rubens Oliveira Costa e Milton Salvador. Baseado em dados dos inquéritos da Polícia Federal que apontam a movimentação financeira suspeita dos dois.
Segundo o deputado, Rubens recebeu R$ 4,9 milhões, fez pedidos de provisionamento de R$ 2,3 milhões e saques em espécie de R$ 949 mil. Já Milton, conforme a PF, estaria ligado a repasses de R$ 48,3 milhões de entidades e empresas usadas no esquema fraudulento.
Já a esposa de Camisotti também é sócia dele, com movimentações financeiras que chegam a R$ 300 milhões.
