Tagliaferro na CCJ: "Zambelli era o alvo principal" - Claudio Dantas
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Política

Tagliaferro na CCJ: “Zambelli era o alvo principal”

Justiça de Catanzaro impõe “obbligo di dimora” a Tagliaferro, proíbe expatriação e retém passaporte; defesa relata condução e notificação na Itália.
Foto: Reprodução

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Por Marília Rodrigues

Ex-assessor de Moraes no TSE depõe como testemunha da deputada

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados ouve agora o ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Eduardo Tagliaferro. Ele presta depoimento como testemunha no processo que analisa a cassação da deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP), presa na Itália enquanto aguarda julgamento de pedido de extradição.

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“Eu tenho comigo os relatórios produzidos, emails encaminhados ao gabinete e as várias conversas de WhatsApp, onde claramente se vê que Carla Zambelli era um alvo e tinha ali uma intenção com cunho persecutório. Inclusive com palavras. Dizia ‘Vamos pegar ela!’”, afirmou o ex-assessor.

Tagliaferro iniciou seu depoimento afirmando que haviam pedidos constantes para monitoramento de Zambelli e outros. Citou que os jornalistas Alan dos Santos, Paulo Figueiredo, Rodrigo Constantino e o ex-deputado Daniel Silveira estavam entre os nomes mais monitorados, porém o da deputada era o “foco principal”: “Era para ser feito um pente fino”, disse o ex-assessor. Ele ainda afirmou que seu contato era feito com os juízes auxiliares de Moraes e que só esteve com o Ministro “três ou quatro vezes”.

Perguntado se havia algum critério para os pedidos, Tagliaferro afirmou que não percebeu de início, mas com o decorrer do tempo notou que os pedidos eram direcionados para perfis de direita: “Era um claro trabalho direcionado a perfis de direita, nunca a perfis de esquerda”.

“O que eu posso dizer e faço questão é que de fato existiu, claramente, uma perseguição. Não só ela, ela era uma das principais personagens. Era uma perseguição ativa, constante. Praticamente, semanalmente, eu recebia duas, três, quatro vezes por semana eu recebia pedidos para que monitorasse, para que olhasse, tanto dela quanto qualquer coisa que envolvesse Carla Zambelli em rede social. Muitas vezes nem eram coisas produzidas por ela, mas estavam no nome dela, e acabavam caindo no foco e vinha pro gabinete. Afirmo aqui que ela, de fato, juntamente com Alan dos santos, Constantino, Figueiredo e outros foram pessoas que foram muito perseguidas”, disse Tagliaferro.

Eduardo Tagliaferro chefiou a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE e foi exonerado em 2023 após ter sido detido, acusado de violência doméstica. Atualmente vive na Itália e é alvo de pedido de extradição feito pelo ministro Alexandre de Moraes depois de denúncia da PGR por suposto vazamento de conversas de WhatsApp entre servidores do STF e do TSE.

Zambelli se emociona e agradece o depoimento de Tagliaferro

Carla Zambelli, que também participou remotamente da CCJ, iniciou agradecendo ao ex-assessor por depor em seu favor:
Eu estou emocionada de tão agradecida que eu estou de você ter feito isso por mim, Tagliaferro. A coragem que você está tendo agora e o quanto você se expos, isso eu nunca mais vou esquecer na minha vida, e eu vou rezar sempre por você”, disse.

Zambelli disse que acredita ter sido alvo em razão do alcance que suas redes sociais tinham na época “Eu acho que ele (Moraes) me colocou como nº1 pq em agosto de 2022 eu tive mais de um bilhão de alcance no Instagram, só no Instagram. No Facebook era outro milhão”.

A suspeita foi confirmada por Tagliaferro, que disse que contas que tivessem maior poder de difusão de informações já seriam alvos do monitoramento: “De fato, ele sempre prezou pelas contas que obtinham mais alcance, que chegava mais info ao povo. Tinha uma regra para isso: mais de mil visualizações ou cinco mil visualizações já era considerado para fazer um relatório. isso de pessoas comuns. A senhora já não era uma pessoa comum, tinha um alcance gigantesco. Então isso abalava muito a ‘pessoa do próprio TSE’, não vou nem citar nome…“.

Tagliaferro também explicou que os relatórios eram feitos com as exata transcrição do que era encontrado. Segundo ele, não havia manipulação no trabalho que ele fazia: “Se ocorreu posterior a isso, eu não tenho conhecimento”.

Nesse contexto, Zambelli questionou o ex-assessor sobre o episódio em que sacou uma arma na véspera do primeiro turno das eleições de 2022, em São Paulo (SP). Tagliaferro respondeu que recebeu pedido para elaborar um relatório sobre o caso, mas que não havia indicação de que ela tivesse efetuado disparos.

Zambelli e o hacker Walter Delgatti Neto foram condenados por invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. No caso da deputada, a decisão inclui a perda do mandato parlamentar e está sob análise na Câmara. O processo tramita na CCJ e, depois, será apreciado pelo plenário.

No dia 10 de setembro, a comissão iniciou a oitiva de testemunhas da defesa. Delgatti foi o primeiro e reafirmou ter recebido orientação de Zambelli para invadir o sistema do CNJ e inserir um falso mandado de prisão contra Moraes. A deputada chamou o hacker de “mitomaníaco”. Em 2 de setembro, Tagliaferro depôs à Comissão de Segurança Pública do Senado e disse ter provas contra Moraes e sua equipe sobre a atuação no TSE nas eleições de 2022, afirmando que o ministro teria “direcionado investigações” relativas aos atos de 8 de Janeiro. Moraes nega as declarações.

 

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