Câmara conclui votação de destaques da PEC das Prerrogativas hoje
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Câmara conclui votação de destaques da PEC das Prerrogativas hoje

Câmara aprova urgência para votar isenção do IR para até R$ 5 mil

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Deputados aprovaram em dois turnos regras que ampliam proteções legais a parlamentares

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (16), em dois turnos, a PEC das Prerrogativas. O texto amplia garantias de deputados e senadores, limitando prisão e abertura de processos. A análise final dos destaques ficou para esta quarta-feira (17).

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No primeiro turno, a proposta recebeu 353 votos favoráveis e 134 contrários. No segundo, foram 344 votos a 133.

A PEC estabelece que parlamentares só podem ser presos em flagrante por crimes inafiançáveis. A manutenção da prisão dependerá da decisão da respectiva Casa. Também será exigida autorização por maioria absoluta para abertura de processo criminal, em até 90 dias.

O relator, deputado Cláudio Cajado (PP-BA), afirmou que as prerrogativas são garantias institucionais. “São indispensáveis à própria viabilidade do Legislativo, pilar fundamental do Estado Democrático de Direito”.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu a aprovação. “Essa não é uma pauta de governo ou de oposição. Essa não é uma pauta do PT ou do PL. Essa não é uma pauta da direita ou da esquerda”.

Na madrugada desta quarta-feira (17), o plenário rejeitou a previsão de voto secreto para autorizar processo criminal contra parlamentares. Foram 296 votos a favor da manutenção da regra, quando eram necessários 308. Com isso, a votação será aberta.

O deputado Gilson Marques (Novo-SC) questionou o sigilo. “Qual a vergonha de apresentar seu voto, de defender sua posição, de atuar como representante, se o voto é sigiloso?”.

Troca de relator

O relator original era Lafayette de Andrada (Republicanos-MG). Na última hora, Hugo Motta designou Cláudio Cajado (PP-BA). A mudança ocorreu em meio à pressão da oposição para votar a anistia aos condenados do 8 de Janeiro.

Defesas no plenário

Cajado reforçou que a proposta busca resguardar a independência do Congresso. “Em hipótese nenhuma trata de privilégios individuais, mas de garantias institucionais que pertencem à sociedade”.

Deputados da direita defenderam o texto. Cabo Gilberto Silva (PL-PB) disse que a medida representa equilíbrio entre os Poderes. “Que democracia é esta em que o Parlamento, que tem representação de 100% da população, é chantageado por outros Poderes?”.

Carlos Jordy (PL-RJ) afirmou que a redação não é ideal, mas protege contra abusos. “Evita processo criminal abusivo que possa passar sem avaliação da Câmara”.

Um destaque apresentado pela federação PSOL-Rede, derrubado pelo plenário, buscava retirar a previsão de votação secreta na análise de prisão em flagrante de parlamentares. Outro, do partido Novo, também rejeitado por 317 votos a 156, tentava suprimir do texto a concessão de foro privilegiado no STF aos presidentes nacionais de partidos com assento no Congresso.

Como votou: números e partidos

1º turno

Aprovado com 353 votos favoráveis, 134 contrários e 1 abstenção.

2º turno

Aprovado com 344 votos a favor e 133 contra.

Partidos que votaram majoritariamente a favor no 1º turno

  • PL: 83 favoráveis.
  • União Brasil: 53
  • PP: 46
  • Republicanos: 42
  • MDB: 35
  • Também votaram a favor: Podemos, PDT, Avante, PRD.

Partidos que votaram majoritariamente contra no 1º turno

  • PT: maioria contra (51 votos contrários).
  • PSOL e PCdoB: todos contrários

O que mudou com o novo texto

  • O destaque que permitia votação secreta para autorizar STF a processar parlamentares foi removido para esse ponto específico. Agora, a votação será aberta.
  • A previsão de foro especial foi mantida para presidentes de partidos.

 

 

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